quarta-feira, 6 de setembro de 2017

A genealogia política do Brasil

Primeiro veio a ideia de que tivemos uma República proclamada por vontade do povo. Que o povo, oprimido e bem disperso, deveria estar sob o comando de republicanos, de pessoas que tornassem as coisas puras e sacrossantas para que todos pudessem usufruir de tudo. Um verdadeiro usucapião cívico (será que teria alguma inspiração em Cícero, o famoso senador romano? Mas o apogeu de Roma não foi durante a República...). Diante desta peta a República seguiu despercebida durante décadas e foi motivo de uma das maiores polarizações existentes: o café de São Paulo e o leite de Minas Gerais. A República nunca foi republicana. Durante tanto tempo as coisas foram detidas, com raras excepções, entre estes dois polos que o mito lavrador da primeira dinastia portuguesa cabia muito bem a nova coisa pública brasileira... 

Mas aí o mito Getúlio Vargas surgiu. Curioso é que o mito Getúlio Vargas é posterior ao Macunaíma de Mário de Andrade e enquanto mito maduro. Este sempiterno senhor gaúcho criou aquilo que se chamou de personalidade populista. Positivista, fascista, simpatizante de Hitler e do eixo ao qual este pertencia criou o "Estado Novo" (todos os golpes dados em política brasileira ganharam o adjectivo novo, por algum motivo) e fez de seu governo o governo régio. Não adianta a República expurgar a Monarquia se tem quem queira ser rei a todo o tempo. Getúlio, o Vargas, então continuou o seu populismo de "pai dos pobres" e fica de fora de toda e qualquer virulência da esquerda socialista, cultural e comunista do Brasil. Ninguém parece atacá-lo porque o regime militar, posterior em algumas décadas, é o alvo, enquanto o regime varguista, baseado em leis fascistas, criou a CLT: Consolidação das Leis Trabalhistas, que emprega até hoje o maior golpe na economia brasileira justamente porque super-protege um lado e abandona quase que totalmente outro. Coisas do Brasil. 

Após estes regimes veio as "Diretas", cantadas em verso e prosa pela péssima dramaturgia brasileira com uma ode ao mau gosto que é a minissérie ou super-série (o que seja) de nome "os dias eram assim". Sucessivamente os presidentes eleitos todos estão envolvidos (com excepção ao finado Itamar Franco) em esquemas de corrupção, maiores ou menores, e o legislativo ensaia passos de uma peça burlesca cujo brasileiro faz o papel de coro a repetir vozes como "Fora Temer", "Diretas Já", "Meu corpo, minhas regras!" e assim por diante. 

Chegamos ao ano de 2017 com a sensação que a nossa história parou em 1889. A República não deu um passo sequer à frente, mas tudo é festa, lindo, divino, maravilhoso entre intelectuais que leem Marx ou vão aos comícios do Lula para ouvi-lo falar de calangos, enquanto Palocci acusa-o (junto a tanta gente e com tantas provas) de uma série de crimes. Coisas de um país doente. Mas é isto mesmo. 


Eustáquio Silva 

terça-feira, 5 de setembro de 2017

Eu apoio Israel


Quando eu era pequeno, e não por culpa de minha família, era ensinados a ter receios e reservas contra os judeus. Esta distância dever-se-ia a questões religiosas (credos com posturas teológicas distintas, posturas estas que não cabe serem abordadas, pela sua completude, aqui neste curto espaço e nem porque seja este o propósito deste texto) e de outras naturezas. Mas algo em mim sempre foi e continuará sempre a ser próximo ao judaísmo, e, consequentemente, ao Estado de Israel. Vale lembrar um pouco a relação do povo judeu com Israel para poder perceber a razão de a campanha culturalista (em sua maioria socialista) contra a relação judaísmo-Jerusalém-Israel. Nunca é demais apelar-se à história para desconstruir preconceitos e discursos ideologicamente estranhos. 

O ano de 1948 fez nascer a nação israelense, mas deve-se ao movimento sionista dos fins do século XIX todo o esforço para que Israel fosse um Estado. Historicamente o povo judeu, entre peregrinações e diásporas, habitou o mundo. Como povo voltado em torno da religião judaica abraâmica, foi crescendo com o crescimento de suas famílias e foi fazendo de sua história a história política de seus descendentes por séculos, diria até mais de milênio. Mas o grande marco foi a fuga do Egito feita por Moisés e a partir daí a sequência de sua história, entre altos e baixos até o distante século XIX com a necessidade de ter uma terra para os judeus espalhados mundo afora. 

Foi depois da expansão do cristianismo uma religião que teve que conviver com grandes perturbações na Idade Média. Embora migrassem de país em país sendo junto do povo daquela região sem deixar de ser a si mesmo, judeus precisavam de seu pedaço de chão, coisa cada vez menos possível com a nova cristandade imposta em tempos medievais e, também, pela perseguição opressora e sanguinária por parte dos povos muçulmanos que até hoje massacram judeus. E a questão palestina, com o apoio da ONU, com o apoio de todo o culturalismo socialista, com o apoio de grande parte da imprensa e classe artística do mundo, só vem a confirmar que mesmo diante de dados históricos, aos judeus é negado sempre o direito a Jerusalém, sua cidade santa, o direito às tradições e à terra que sempre foi por longos tempos o nexo causal do povo com a sua narrativa. Israel é um Estado legítimo. Se querem que os palestinos tenham um Estado por também habitarem tal região, que se entre em acordos, que Israel sempre propôs, e faça-se como se quer, mas não queira-se destruir o Estado de Israel supondo que não haja verdade no povo israelita de estar aonde estar. O que é totalmente falso. 

Os símbolos judeus, a história completamente devotada à sua depreciação, inclusive as piadas que os politicamente correctos insistem em fazer, pois estas podem enquanto as outras são ofensivas, apenas comprovam que Israel é o alvo moderno de um movimento globalista. Israel é o Estado responsável pela violência quando, na verdade, é o único que tem leis respeitadas e paz interna em um médio oriente que respira confusão e retrocesso. Enquanto o Estado Islâmico devasta territórios e cidades inteiras, nunca se teve composição terrorista alguma que tenha partido da religião judaica. Os avanços técnicos, científicos, culturais e de entretenimento são como uma grande resposta deste povo aos ataques constantes que sofrem. A religião monoteísta mais antiga do mundo. O povo totalmente identificado com as suas tradições e um Estado politicamente legítimo e são em um oriente próximo cheio de primitivismo. Mesmo com todos os pontos contra (colocados por tantos) eu suporto o meu discurso: eu apoio integralmente Israel e sigo meu instinto infantil, de juventude. Apoio Israel e ainda posso dedicar mais e mais textos a este apoio, que faço totalmente público e notório. 


Eustáquio Silva 

terça-feira, 29 de agosto de 2017

O que é um país doente: crónica sobre um dia no Brasil


Agosto, um dia normal de trabalho, de estudo, de férias, de qualquer coisa que um ser humano cujo princípio constitucional de ir e vir é cláusula pétrea tem a fazer. Poderia ser somente a constatação de tipos curiosos, falas rodriguianas e caricaturas engraçadas, sinistras, mas é, na verdade, mas um relato de um pormenor constante no Brasil: o crime. Andar nas cidades brasileiras é sinónimo de risco, de trauma, de susto, enfim, de um pesadelo cujo final pode ser o mais trágico possível. E o que há-de ser contado não é ficcional, mas o que houve hoje, quase agora, em uma corriqueira volta para casa deste que vos escreve. 

Ao entrar num ônibus (autocarro aos portugueses) normalmente, razoavelmente cheio, mas sem alardes para o caos que costuma ser andar nos "colectivos", eu pensei estar voltando para casa de uma tarde agradável entre amigos. Tudo corria bem, na perfeita ordem, quando em uma das paragens a porta traseira do ônibus foi invadida por oito elementos todos menores de idade. É importante dizer que eram menores de idade porque há sempre quem defenda que a sociedade, principalmente a sociedade classificada como conservadora e de direita, crucifica estes "desfavorecidos sociais"; que o crime deles é ser de um estrato marginal da sociedade. Mas não era isto que aqueles meninos estavam prestes a fazer. E só não o fizeram porque "entraram no ônibus errado". Não iriam descer onde queriam. Diante de passageiros assustados e atônitos, eles empurravam a porta e entravam um a um com o carro em movimento e aos gritos. Batiam nas laterais do carro, no vidro e diziam coisas de baixíssimo teor todo o tempo. Eram sim aptos ao crime. Não poderiam ser jovens que queriam apenas voltar às suas casas "daquela maneira". O pânico deu lugar ao cenário de horror e revolta posterior. Todos naquele ônibus sabiam: aquilo acontece em muitos ônibus todos os dias e nada é feito. A não ser deputadas como Maria do Rosário e outras "ativistas" defenderem este estado de excepção que tornou-se o país. 

Outro dia um menino de quinze anos foi morto dentro de um ônibus sem chance de defesa. Por que? Estava junto a outro "menor" prestes a assaltar este mesmo autocarro. Quem atirou? Alguém que estava na parte traseira do veículo que NINGUÉM quis identificar. Estamos em um campo de coisas que para livrar-se de um crime comete-se outro. A polícia do Rio de Janeiro já conta com 100 oficiais mortos pelos bandidos e nada foi feito. Cem oficiais nos últimos tempos. Zonas inteiras estão cercadas com aparatos eléctricos, com segurança de última geração e com muros maiores que as casas. Pessoas mudam-se e deixam o Brasil todo o tempo. Muitos têm histórias tristes de alguém que morreu vítima da violência crescente em todos os estados, grandes cidades, becos. E alguns políticos, alguns guetos ideológicos chamam isto de preconceito e não de criminalidade. Incentivam o revanchismo e apontam o dedo sujo como se fossem defensores das vítimas. 

Até que se prove o contrário o país é um pavio de pólvora aceso. A violência abunda. Os políticos preocupam-se em cometer os mesmos crimes de colarinho branco enquanto o povo morre e não retorna sossegado para a sua casa. Eis o tempo em que eu poderia dizer que sou um sortudo, junto aos outros passageiros, de hoje, mas seria de amanhã? Outros já não foram. Ordem e Progresso? Não! Violência e morte!


Eustáquio Silva 

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

O socialista Joseph Goebbles e o político de propaganda

Talvez Paul Joseph Goebbles (1897-1945) não seja um nome que lá te diga muita coisa. Um homem alemão com suástica ao braço, na certa um nacional socialista daqueles que foram varridos do mapa pela história e foram deslocados para uma "direita" nos últimos tempos. Mas este homem não foi só isto. Dono de uma das armas mais letais da ascensão de Hitler ao poder, ele ainda hoje é estudado e seguido, mesmo que indiretamente, dentro de agências publicitárias, de partidos políticos, de grupos sociais e aglomerações de pessoas. E qual a razão disto? Seria impossível falar destas todas áreas de atuação de Goebbles em um texto de blog, mas como polemista que sou trarei apenas aquelas que mais são importantes e mais coadunam com o título desta matéria curta: Goebbles, um socialista e ás da propaganda. 

Agora uma frase do próprio Goebbles a ilustrar nossas linhas:

Somos socialistas porque vemos a questão social como uma questão de necessidade e justiça para a própria existência de um estado para nosso povo e não como uma questão para a piedade barata e sentimentalismo humilhante. O trabalhador tem direito a um padrão de vida que corresponda ao trabalho que produz. 

Ora senhoras e senhores estamos diante de um confesso socialista e um socialista muito próximo daquele tão louvado por Marx e Engels. Este homem era o mentor intelectual da estratégia de Hitler. É difícil crer que houvesse afinidade completa entre os dois, mas é igualmente difícil crer que fossem antagonistas neste ponto. 

Goebbles criou o mito salvador de Hitler. Regou-o com muito esmero e preencheu as páginas e o semblante do austro-germânico com toda a persuasão que lhe fora característica. Afinal "uma mentira contada ou repetida tantas vezes torna-se verdade". E o que é que sempre ouvimos de políticos hoje em dia. Uma mentirosa alegação de inocência que de tanto ser proferida alguns até creem que estejam diante de uma verdade incontestável do género da verdade de Alfred Tarski de que "a neve é branca se e somente se a neve é branca". O logicismo parece ter invadido a política quando Lula diz que tudo é um complô contra ele. Quando um senador diz que Dilma é a presidente mais honesta do país. Quando Aécio Neves nega ter feito algo ilícito, sem contar figuras icônicas como Paulo Maluf, como Nícolas Maduro, entre outros. Quantas lições de Goebbles estão implícitas aí. As mesmas que convenceram o sofrido povo alemão - arrasados pela primeira guerra mundial - de que judeus eram inimigos e de que os alemães eram a raça, por excelência, superior. 

Diz ainda Goebbles:

Tal é nossa tarefa como Nacional Socialistas. Nós fomos os primeiros a reconhecer as conexões, e os primeiros a começar a luta. Porque somos socialistas, sentimos primeiro as maiores bençãos da nação e porque somos nacionalistas quisemos promover a justiça socialista na nova Alemanha. 

O pioneirismo que Goebbles atribui ao nazismo é a de uma junção. Toda a margem nacionalista, de exaltação do povo, típica do positivismo, por exemplo, com a ideia de distribuição, de igualdade e de equiparação das riquezas típicas do socialismo propriamente dito. A justiça social nazista era para o alemão enquanto seguidor deste nazismo. O império de Hitler era o mesmo da "Mãe Rússia" e da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas. Berlim alinhava com Moscou e com Pequim. Era este mundo que visava o socialismo porque era a ferramenta de incorporação do povo ao intuito de império, de domínio, de expansão destes ditadores. O que caracteriza o ditador é justamente o facto de querer ser dominador não só de um povo, mas de um mundo. 

O nazismo é nacionalista porque parte dos povos da Alemanha, mas torna-se socialista por querer impor este povo acima de todos os outros povos do mundo, com algumas excepções. E nisto Joseph Goebbles foi essencial a Hitler. E para arrematar dizia: "Nós não falamos para dizer alguma coisa, mas para obter um certo efeito". Este é o espírito socialista do nazismo na mente deste homem cultuado por alguns e odiado por tantos outros. O cérebro desta chamada revolução nazista no pensamento da propaganda que construiu mitos e demônios políticos como vemos por aí. 



Eustáquio Silva 

domingo, 13 de agosto de 2017

O que me diz a ideologia da esquerda?

O que te diz a ideologia da esquerda? Você, por um acaso, sabe aquilo que as entrelinhas não deixam passar sobre aquilo que pensam e aquilo que querem fazer valer aqueles que se dizem à esquerda do parlamento

Este blog é de história. Se assim o é, nada melhor do que começarmos a esclarecer as coisas de seu começo, isto é, da Revolução Francesa. 

Este espectro político não data do mundo. Não é anacrônico como o é a chamada "luta de classes" do Manifesto do Partido Comunista de Marx e Engels. Foi criado para compor e comportar a ideologia, ou a carga destas, junto aos ideais de liberdade, igualdade e fraternidade que fizeram mudar de vez o cenário político da altura. Os partidários do rei sentavam-se à direita no parlamento francês - defendiam, também, lealdade ao antigo regime, à religião e aos costumes que deveriam ser conservados. Ao centro estavam aqueles que pretendiam apenas mudar algo aqui ou algures. Na esquerda aqueles que queriam modificar a tudo. Romper com o passado e a criar uma nova roda de coisas: os revolucionários. 

Mas o que queriam estes da esquerda tanto mudar? Logo na própria história ficou visto que apenas vociferavam a mudança, mas quando tiveram a oportunidade em nada fizeram avançar a nada. Diferente daquilo que é apregoado por alguns, os da esquerda não eram pensadores do futuro, nem, tão-pouco, eram aqueles que queriam agir e não "andar com a cabeça", como na metáfora marxista, mas aqueles que queriam romper, violentamente decompor, desconstruir toda a forma que tinha a realidade. Nisto há semelhança na revolução russa e na insurreição cubana. Há semelhança no projeto do Foro de São Paulo e o da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas. Semelhanças entre os vários modelos socialistas, dos fabianos aos radicais, e a vertente autoritária de que a mudança deve acontecer custo o que custar. Roger Scruton, Sir Roger Scruton, bem estava certo: são revoltados que apenas acostumaram-se a dizer não e a destruir, porém não sabem edificar. Perdem-se em tolices e em insanidades e foram fortemente municiados por uma revolução interna: a da intelectualidade, da cultura global e da Escola de Frankfurt. Gramsci, Marcuse e Benjamim são nomes clássicos do ideário da esquerda enquanto aquilo que se decreta certo. Deleuze fala de uma tendência no esquerdista em preocupar-se com um olhar que vá além de seu endereço, que abarque o mundo. Este discurso impera em nosso mudo mundo, mesmo sendo vazio e inepto. Assim o mito da esquerda pacífica e culta soma-se ao da inconformada, científica e revoltada. Aqui nasce o discurso esquerdista, sempre preocupado em ser anacrônico, mimado e vitimista. 

Foi assim que a esquerda, a ideologia de esquerda,  assumiu as minorias e suas bandeiras. Hoje um negro, um preto só pode ser realmente preto se for de esquerda. Um homossexual só pode ser de esquerda. Um vegetariano/vegano só pode ser de esquerda. Por que? Porque a esquerda torna tudo que toca um reflexo de si. Se não o faz, ao menos, afasta toda e qualquer aproximação possível. Ali no espectro surgido na revolução francesa somente posso vislumbrar uma coisa: o quão doentia é uma ideologia, e pior é quando é totalmente avessa à história. 

Que me perdoem os de compleição sensível, aqueles que são da "esquerda caviar" ou aqueles que pensam que as coisas estão presas ao esquerdismo como se ele fosse, logicamente, algo a ser assumido como sempre correcto e sempre desejável. Vou contrariá-los sempre que tentarem fugir para a hegemonia forçada que Gramsci sempre falou. Não aceito os seus dogmas e o seu "politicamente correcto". Preciso de pensar por mim e não por seus maquinários. Desistam de tentar vender-me aquilo que nem sequer pode ser verdadeiro. Estou farto destes enganos. Mas muitos precisam ver também tais ciladas. Por isto aqui estão estas palavras. Que sirvam a alguém que queira verdades e não uma garrafa dentro de uma mosca. 


Eustáquio Silva 

domingo, 6 de agosto de 2017

O dia em que Venezuela e Brasil querem ter a mesma história

Na mensagem em rede social ao lado está escrito: Força Presidente Maduro. Em 2018 estaremos governando o Brasil juntos subjugando a nossos inimigos fascistas do império norte-americano e destruiremos de vez a direita da Venezuela e Brasil.   O que os pontos destacados querem dizer eu relatarei em seguida, mas o que a mensagem toda quer dizer é produto deste meio ideológico que se chama comunismo bolivariano (comunismo este que a imagem divulgada pela amiga Claudia Wild exemplifica tão bem). Não é outra coisa que não um comunismo em sua verdade aposto ali. Sem rédeas, sem rodeios, sem meias palavras. 

O que o socialismo brasileiro - somado a este "novo socialismo" latino - deseja é a ditadura e o poder incontestado e perpétuo. Não aprenderam nada com os chamados "erros históricos" de União Soviética, da catástrofe chamada Cuba e demais republiquetas mundo afora. Ou melhor aprenderam única e exclusivamente qual gosto tem o poder que tornou-se fixação da vida deles. Que não haja democracia alguma nem no Brasil petista e derivado e, tampouco, na Venezuela armada para sufocar o povo, todos nós sabemos.Que nem Lula nem Chávez foram exemplos de democracia já era preciso todos nós sabermos. Mas é preciso esclarecer o que une estes dois países. Qual é a verdadeira história por detrás da cena. O que esta tentativa de ditadura abortada no Brasil (como bem ilustrada pelo jornalista Arnaldo Jabor quando este diz que mais um pouco e Dilma transformaria o Brasil na nova Venezuela) com o PT e a ditadura propriamente dita da Venezuela têm em comum? A intenção. 

Brasil e Venezuela possuem grandes partidos envolvidos na criação do Foro de São Paulo (uma instituição nos moldes das internacionais comunistas, com patrocínio cubano dos irmãos Castro),que pretende propagar e tomar de assalto o poder nos países latino-americanos. Não que já não o tentassem antes, mas agora criaram uma música revolucionária perfumada com uma óptica torta de poder ao povo.  Com a retórica de baixo ventre de que lutam contra este fantasma de "imperialismo norte-americano" escondem a intenção de controlo e de perpetuação no poder típicos de regimes totalitários. Chávez não difere de Lenine. Nícolas Maduro não é diferente de Estaline ou Mao. Enxergam o povo como massa de manobra e os adversários como inimigos da pátria. Fazendo isto apenas invertem a lógica do que dizem ter ocorrido nos regimes militares do século passado. Apenas justificam a frase de que só se lamentam de não ter tido o poder e não de ter perdido a suposta liberdade. Convocam para si todos os holofotes de uma trágica história, que não a dos vencidos: mas a dos rancorosos perdedores ditatoriais que foram incapazes de vencer em seus tempos e promovem este dissabor amargo que é tomar o país com ódio e pavor pela voz contrária. 

Esta senadora brasileira Gleisi Hoffmann é a presidente do Partido dos Trabalhadores, o PT. O partido do ex-presidente Lula, da ex-presidente Dilma, de José Dirceu e tantos outros. Este partido que até a ascensão de Lula ao poder dizia ser o bastião da moral e da ética neste país. Partido envolvido até o pescoço em todas as investigações da Operação Lava Jato. Simplesmente ignoram que crianças morrem, que pessoas passam fome na Venezuela, que opositores são presos em lugares indeterminados e que falta até material de higiene para aqueles que eles dizem defender. Mas ela fala, em tom de apoio a Maduro, que pretende apoiar a ele para subjugar os inimigos fascistas e destruir a direita. Fascismo que o Maduro pratica fielmente na Venezuela sob o manto hipócrita de "revolução bolivariana". Bolivarianismo é o nome próprio deste novo comunismo autoritário que varreu a América Latina. Comunismo fundamentado em uma claque intelectual com nomes como Eduardo Galeano e outros, com a nata da MPB brasileira e classe artística em peso, com chamados intelectuais engajados gramscianos, sobretudo aqueles que pensam ter algo politicamente a contribuir. Estes nomes apoiam Maduro. Apoiam o morticínio sangrento que impõe a seu próprio povo em nome deste sistema caricato e peçonhento que é o comunismo em sua versão "Soy loco por ti America". 

No mais a declaração de apoio a Maduro é fruto de convicção adestrada. Não tem nada de rompante ou impetuosa, pois é fruto da fé cega desta religião sem Deus que é o comunismo. Desta matança que tem como base o impor o poder de todas as maneiras. Uma eleição de Lula hoje significa a transformação rápida do Brasil em uma nova Venezuela. A liquidação do mínimo de liberdade em fome de expressão. Todas as belas canções que os cantores da geração de 60 e 70 propõem ter feito simplesmente surtirão o efeito contrário: é o que eles farão. Um apoio a uma ditadura significa, a meu ver, muito mais do que um gesto de solidariedade. O que fez esta presidente de partido foi demonstrar a sua absoluta intenção de escravizar um país já morto pela falta de educação, pela miséria descarada e pelo absurdo completo que são as instituições tornadas ridículas lá fora. O resumo desta ópera é simples: socialismo ou barbárie, fórmula que goza de prestígio entre os fanáticos socialistas, mas que em minha concepção quer apenas dizer: se não for de nosso jeito, com o socialismo, nós transformaremos tudo em um inferno. Ou, talvez, a barbárie venha do leste... 


Eustáquio Silva. 

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

O que diz historicamente o "fico" a Michel Temer

Brasília, 03 de Agosto de 2017. Esta data denota uma decisão parlamentar de arquivar processo contra o presidente da República Michel Temer (PMDB) por crime comum de corrupção passiva nos termos do Código Penal em seu artigo número 317. Sendo qualquer funcionário público que cometesse este crime, detentor de um cargo maior ou menor e que tenha tomado vantagem nas hipóteses legais aventadas, nós estaríamos diante de uma necessidade de julgamento iminente. Porém, para o desprazer da política brasileira, era, mais uma vez, um presidente da República quem estava envolvido. 
Não bastasse o traumático impedimento da petista Dilma Rousseff e as seis condições de réu do populista e demagogo Lula, Michel Temer, o outro elo desta aliança que governa o país desde a primeira eleição do ex-metalúrgico. O último vértice deste triângulo nocivo e nefasto que tomou de assalto o país e afundou este mesmo no maior esquema de corrupção que o mundo já vira. 

Mas o pior não está no facto de o Congresso, por sua casa a Câmara dos Deputados, inocentar ao presidente Michel Temer, mas em como fizeram isto. Historicamente o que fica são os eventos e suas circunstâncias. A história bem contada envolve o visto e aquilo que, por ventura, tenha ficado nas entrelinhas, nos porões, nas ante-salas, nos balcões de negócios. Desde o desespero de Dilma e um Lula enquanto negociador extra-oficial em hotel em Brasília, coisa que os deputados da chamada ala comunista esquecem, até o Temer permissivo e bem cheio de verbas a distribuir para comprar aliados, o Brasil pratica corrupção como troca de roupa. No Brasil o cinismo e a falha moral são meios de vida e não coisas criticáveis. E o jeito espúrio como as coisas se deram impressiona. 

Durante a vergonhosa votação os parlamentares alternaram discursos hipócritas com discussões vexatórias. Em meio a acusações infantis de "golpe" ou a tatuagens grotescas, dignas dos porões mais sujos da história rocambolesca, os nobres deputados e deputadas encenaram o pior espetáculo possível. Um festival de horrores. Uns diziam "sim" ao arquivamento baseados cegamente num mantra de "estabilidade económica e política". Certamente o Brasil parou de piorar sem o PT no poder. Mas isto não significa que crimes possam ser postergados e esquecidos simplesmente porque o senhor Temer faz algo proveitoso. Este velho argumento da política brasileira de "roubar, mas fazer", implícito nesta justificativa assusta porque repete-se ad nauseam. Ou não é exatamente este o argumento de lulistas para justificar votar-se ainda nele? Estive em uma cafetaria charmosa da cidade onde moro e foi justamente este o tom daquilo que ouvi. Todavia este discurso, além de asqueroso, somente denota qual é o espírito dos nossos legisladores. 

De outro lado, além da cantilena de golpe, vem partidos como o PT, PCdoB e PSOL falar de "ética". A ética, esta mesma palavra, que o Partido dos Trabalhadores esqueceu junto com a vergonha na cara. A ética que tantos crimes cometidos, mas que são farsas eleitoreiras e golpes à democracia quando cometidos por esquerdistas, fizeram sumir, não pode ser invocada por diversos indiciados, investigados e implicados no ataque á decência que a classe política impetrou no Brasil. 

Em suma: o suposto "fico" dado a Temer é um embuste da velha república brasileira e seus piores defeitos. Nunca a impureza moral republicana ficou tão à mostra quanto no caos desregrado de suas instituições eivadas pelo conformismo e a impunidade para com os crimes. Temer ter ficado seria ou teria o mesmo peso de Dilma ter permanecido na presidência. Temer ter ganhado fôlego tem o mesmo peso de Lula permanecer, assim como Aécio Neves, longe das grades pelos crimes cometidos. Mas é expectável. Assim funciona a capenga democracia brasileira. Assim sempre funcionou este pedaço nojento de bolor cuja função única foi e continua sendo sugar do povo até mesmo o acesso à ética. Deputadas e Deputados em nada representam senão o teor imoral e insano que é este país. Se estamos no caos que estamos, isto também é reflexo de quem escolhemos para legislar em nosso nome. O modelo é fiel. Ninguém é tão representado quanto o povo brasileiro enquanto imagem e semelhança por aqueles quase quinhentos homens e mulheres que, com raras e nobres exceções, revesaram-se em toda a sorte de sandices e midiatismo. Temos a política que plantamos. Você que abusa da confiança de outrem, que rouba sempre que pode, que relativiza a moral e planta toda a sorte de janela para ilícitos. Esta votação representa historicamente a todos os que querem levar vantagem neste país. 


Eustáquio Silva