domingo, 13 de agosto de 2017

O que me diz a ideologia da esquerda?

O que te diz a ideologia da esquerda? Você, por um acaso, sabe aquilo que as entrelinhas não deixam passar sobre aquilo que pensam e aquilo que querem fazer valer aqueles que se dizem à esquerda do parlamento

Este blog é de história. Se assim o é, nada melhor do que começarmos a esclarecer as coisas de seu começo, isto é, da Revolução Francesa. 

Este espectro político não data do mundo. Não é anacrônico como o é a chamada "luta de classes" do Manifesto do Partido Comunista de Marx e Engels. Foi criado para compor e comportar a ideologia, ou a carga destas, junto aos ideais de liberdade, igualdade e fraternidade que fizeram mudar de vez o cenário político da altura. Os partidários do rei sentavam-se à direita no parlamento francês - defendiam, também, lealdade ao antigo regime, à religião e aos costumes que deveriam ser conservados. Ao centro estavam aqueles que pretendiam apenas mudar algo aqui ou algures. Na esquerda aqueles que queriam modificar a tudo. Romper com o passado e a criar uma nova roda de coisas: os revolucionários. 

Mas o que queriam estes da esquerda tanto mudar? Logo na própria história ficou visto que apenas vociferavam a mudança, mas quando tiveram a oportunidade em nada fizeram avançar a nada. Diferente daquilo que é apregoado por alguns, os da esquerda não eram pensadores do futuro, nem, tão-pouco, eram aqueles que queriam agir e não "andar com a cabeça", como na metáfora marxista, mas aqueles que queriam romper, violentamente decompor, desconstruir toda a forma que tinha a realidade. Nisto há semelhança na revolução russa e na insurreição cubana. Há semelhança no projeto do Foro de São Paulo e o da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas. Semelhanças entre os vários modelos socialistas, dos fabianos aos radicais, e a vertente autoritária de que a mudança deve acontecer custo o que custar. Roger Scruton, Sir Roger Scruton, bem estava certo: são revoltados que apenas acostumaram-se a dizer não e a destruir, porém não sabem edificar. Perdem-se em tolices e em insanidades e foram fortemente municiados por uma revolução interna: a da intelectualidade, da cultura global e da Escola de Frankfurt. Gramsci, Marcuse e Benjamim são nomes clássicos do ideário da esquerda enquanto aquilo que se decreta certo. Deleuze fala de uma tendência no esquerdista em preocupar-se com um olhar que vá além de seu endereço, que abarque o mundo. Este discurso impera em nosso mudo mundo, mesmo sendo vazio e inepto. Assim o mito da esquerda pacífica e culta soma-se ao da inconformada, científica e revoltada. Aqui nasce o discurso esquerdista, sempre preocupado em ser anacrônico, mimado e vitimista. 

Foi assim que a esquerda, a ideologia de esquerda,  assumiu as minorias e suas bandeiras. Hoje um negro, um preto só pode ser realmente preto se for de esquerda. Um homossexual só pode ser de esquerda. Um vegetariano/vegano só pode ser de esquerda. Por que? Porque a esquerda torna tudo que toca um reflexo de si. Se não o faz, ao menos, afasta toda e qualquer aproximação possível. Ali no espectro surgido na revolução francesa somente posso vislumbrar uma coisa: o quão doentia é uma ideologia, e pior é quando é totalmente avessa à história. 

Que me perdoem os de compleição sensível, aqueles que são da "esquerda caviar" ou aqueles que pensam que as coisas estão presas ao esquerdismo como se ele fosse, logicamente, algo a ser assumido como sempre correcto e sempre desejável. Vou contrariá-los sempre que tentarem fugir para a hegemonia forçada que Gramsci sempre falou. Não aceito os seus dogmas e o seu "politicamente correcto". Preciso de pensar por mim e não por seus maquinários. Desistam de tentar vender-me aquilo que nem sequer pode ser verdadeiro. Estou farto destes enganos. Mas muitos precisam ver também tais ciladas. Por isto aqui estão estas palavras. Que sirvam a alguém que queira verdades e não uma garrafa dentro de uma mosca. 


Eustáquio Silva 

domingo, 6 de agosto de 2017

O dia em que Venezuela e Brasil querem ter a mesma história

Na mensagem em rede social ao lado está escrito: Força Presidente Maduro. Em 2018 estaremos governando o Brasil juntos subjugando a nossos inimigos fascistas do império norte-americano e destruiremos de vez a direita da Venezuela e Brasil.   O que os pontos destacados querem dizer eu relatarei em seguida, mas o que a mensagem toda quer dizer é produto deste meio ideológico que se chama comunismo bolivariano (comunismo este que a imagem divulgada pela amiga Claudia Wild exemplifica tão bem). Não é outra coisa que não um comunismo em sua verdade aposto ali. Sem rédeas, sem rodeios, sem meias palavras. 

O que o socialismo brasileiro - somado a este "novo socialismo" latino - deseja é a ditadura e o poder incontestado e perpétuo. Não aprenderam nada com os chamados "erros históricos" de União Soviética, da catástrofe chamada Cuba e demais republiquetas mundo afora. Ou melhor aprenderam única e exclusivamente qual gosto tem o poder que tornou-se fixação da vida deles. Que não haja democracia alguma nem no Brasil petista e derivado e, tampouco, na Venezuela armada para sufocar o povo, todos nós sabemos.Que nem Lula nem Chávez foram exemplos de democracia já era preciso todos nós sabermos. Mas é preciso esclarecer o que une estes dois países. Qual é a verdadeira história por detrás da cena. O que esta tentativa de ditadura abortada no Brasil (como bem ilustrada pelo jornalista Arnaldo Jabor quando este diz que mais um pouco e Dilma transformaria o Brasil na nova Venezuela) com o PT e a ditadura propriamente dita da Venezuela têm em comum? A intenção. 

Brasil e Venezuela possuem grandes partidos envolvidos na criação do Foro de São Paulo (uma instituição nos moldes das internacionais comunistas, com patrocínio cubano dos irmãos Castro),que pretende propagar e tomar de assalto o poder nos países latino-americanos. Não que já não o tentassem antes, mas agora criaram uma música revolucionária perfumada com uma óptica torta de poder ao povo.  Com a retórica de baixo ventre de que lutam contra este fantasma de "imperialismo norte-americano" escondem a intenção de controlo e de perpetuação no poder típicos de regimes totalitários. Chávez não difere de Lenine. Nícolas Maduro não é diferente de Estaline ou Mao. Enxergam o povo como massa de manobra e os adversários como inimigos da pátria. Fazendo isto apenas invertem a lógica do que dizem ter ocorrido nos regimes militares do século passado. Apenas justificam a frase de que só se lamentam de não ter tido o poder e não de ter perdido a suposta liberdade. Convocam para si todos os holofotes de uma trágica história, que não a dos vencidos: mas a dos rancorosos perdedores ditatoriais que foram incapazes de vencer em seus tempos e promovem este dissabor amargo que é tomar o país com ódio e pavor pela voz contrária. 

Esta senadora brasileira Gleisi Hoffmann é a presidente do Partido dos Trabalhadores, o PT. O partido do ex-presidente Lula, da ex-presidente Dilma, de José Dirceu e tantos outros. Este partido que até a ascensão de Lula ao poder dizia ser o bastião da moral e da ética neste país. Partido envolvido até o pescoço em todas as investigações da Operação Lava Jato. Simplesmente ignoram que crianças morrem, que pessoas passam fome na Venezuela, que opositores são presos em lugares indeterminados e que falta até material de higiene para aqueles que eles dizem defender. Mas ela fala, em tom de apoio a Maduro, que pretende apoiar a ele para subjugar os inimigos fascistas e destruir a direita. Fascismo que o Maduro pratica fielmente na Venezuela sob o manto hipócrita de "revolução bolivariana". Bolivarianismo é o nome próprio deste novo comunismo autoritário que varreu a América Latina. Comunismo fundamentado em uma claque intelectual com nomes como Eduardo Galeano e outros, com a nata da MPB brasileira e classe artística em peso, com chamados intelectuais engajados gramscianos, sobretudo aqueles que pensam ter algo politicamente a contribuir. Estes nomes apoiam Maduro. Apoiam o morticínio sangrento que impõe a seu próprio povo em nome deste sistema caricato e peçonhento que é o comunismo em sua versão "Soy loco por ti America". 

No mais a declaração de apoio a Maduro é fruto de convicção adestrada. Não tem nada de rompante ou impetuosa, pois é fruto da fé cega desta religião sem Deus que é o comunismo. Desta matança que tem como base o impor o poder de todas as maneiras. Uma eleição de Lula hoje significa a transformação rápida do Brasil em uma nova Venezuela. A liquidação do mínimo de liberdade em fome de expressão. Todas as belas canções que os cantores da geração de 60 e 70 propõem ter feito simplesmente surtirão o efeito contrário: é o que eles farão. Um apoio a uma ditadura significa, a meu ver, muito mais do que um gesto de solidariedade. O que fez esta presidente de partido foi demonstrar a sua absoluta intenção de escravizar um país já morto pela falta de educação, pela miséria descarada e pelo absurdo completo que são as instituições tornadas ridículas lá fora. O resumo desta ópera é simples: socialismo ou barbárie, fórmula que goza de prestígio entre os fanáticos socialistas, mas que em minha concepção quer apenas dizer: se não for de nosso jeito, com o socialismo, nós transformaremos tudo em um inferno. Ou, talvez, a barbárie venha do leste... 


Eustáquio Silva. 

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

O que diz historicamente o "fico" a Michel Temer

Brasília, 03 de Agosto de 2017. Esta data denota uma decisão parlamentar de arquivar processo contra o presidente da República Michel Temer (PMDB) por crime comum de corrupção passiva nos termos do Código Penal em seu artigo número 317. Sendo qualquer funcionário público que cometesse este crime, detentor de um cargo maior ou menor e que tenha tomado vantagem nas hipóteses legais aventadas, nós estaríamos diante de uma necessidade de julgamento iminente. Porém, para o desprazer da política brasileira, era, mais uma vez, um presidente da República quem estava envolvido. 
Não bastasse o traumático impedimento da petista Dilma Rousseff e as seis condições de réu do populista e demagogo Lula, Michel Temer, o outro elo desta aliança que governa o país desde a primeira eleição do ex-metalúrgico. O último vértice deste triângulo nocivo e nefasto que tomou de assalto o país e afundou este mesmo no maior esquema de corrupção que o mundo já vira. 

Mas o pior não está no facto de o Congresso, por sua casa a Câmara dos Deputados, inocentar ao presidente Michel Temer, mas em como fizeram isto. Historicamente o que fica são os eventos e suas circunstâncias. A história bem contada envolve o visto e aquilo que, por ventura, tenha ficado nas entrelinhas, nos porões, nas ante-salas, nos balcões de negócios. Desde o desespero de Dilma e um Lula enquanto negociador extra-oficial em hotel em Brasília, coisa que os deputados da chamada ala comunista esquecem, até o Temer permissivo e bem cheio de verbas a distribuir para comprar aliados, o Brasil pratica corrupção como troca de roupa. No Brasil o cinismo e a falha moral são meios de vida e não coisas criticáveis. E o jeito espúrio como as coisas se deram impressiona. 

Durante a vergonhosa votação os parlamentares alternaram discursos hipócritas com discussões vexatórias. Em meio a acusações infantis de "golpe" ou a tatuagens grotescas, dignas dos porões mais sujos da história rocambolesca, os nobres deputados e deputadas encenaram o pior espetáculo possível. Um festival de horrores. Uns diziam "sim" ao arquivamento baseados cegamente num mantra de "estabilidade económica e política". Certamente o Brasil parou de piorar sem o PT no poder. Mas isto não significa que crimes possam ser postergados e esquecidos simplesmente porque o senhor Temer faz algo proveitoso. Este velho argumento da política brasileira de "roubar, mas fazer", implícito nesta justificativa assusta porque repete-se ad nauseam. Ou não é exatamente este o argumento de lulistas para justificar votar-se ainda nele? Estive em uma cafetaria charmosa da cidade onde moro e foi justamente este o tom daquilo que ouvi. Todavia este discurso, além de asqueroso, somente denota qual é o espírito dos nossos legisladores. 

De outro lado, além da cantilena de golpe, vem partidos como o PT, PCdoB e PSOL falar de "ética". A ética, esta mesma palavra, que o Partido dos Trabalhadores esqueceu junto com a vergonha na cara. A ética que tantos crimes cometidos, mas que são farsas eleitoreiras e golpes à democracia quando cometidos por esquerdistas, fizeram sumir, não pode ser invocada por diversos indiciados, investigados e implicados no ataque á decência que a classe política impetrou no Brasil. 

Em suma: o suposto "fico" dado a Temer é um embuste da velha república brasileira e seus piores defeitos. Nunca a impureza moral republicana ficou tão à mostra quanto no caos desregrado de suas instituições eivadas pelo conformismo e a impunidade para com os crimes. Temer ter ficado seria ou teria o mesmo peso de Dilma ter permanecido na presidência. Temer ter ganhado fôlego tem o mesmo peso de Lula permanecer, assim como Aécio Neves, longe das grades pelos crimes cometidos. Mas é expectável. Assim funciona a capenga democracia brasileira. Assim sempre funcionou este pedaço nojento de bolor cuja função única foi e continua sendo sugar do povo até mesmo o acesso à ética. Deputadas e Deputados em nada representam senão o teor imoral e insano que é este país. Se estamos no caos que estamos, isto também é reflexo de quem escolhemos para legislar em nosso nome. O modelo é fiel. Ninguém é tão representado quanto o povo brasileiro enquanto imagem e semelhança por aqueles quase quinhentos homens e mulheres que, com raras e nobres exceções, revesaram-se em toda a sorte de sandices e midiatismo. Temos a política que plantamos. Você que abusa da confiança de outrem, que rouba sempre que pode, que relativiza a moral e planta toda a sorte de janela para ilícitos. Esta votação representa historicamente a todos os que querem levar vantagem neste país. 


Eustáquio Silva 

terça-feira, 25 de julho de 2017

Lula, o mito da desonestidade.


Anteriormente eu iria falar apenas da condenação - primeira condenação de um ex-presidente, nunca na história do Brasil isto aconteceu - e do sequestro legal de seus bens, em sentenças do juiz federal Sérgio Moro. Todavia, depara-mo, incrédulo, com o que Lula disse: a propina foi algo que os empresários inventaram para culpar os políticos. Como se não bastasse o que houve (e ainda falta ser descoberto), o senhor Lula insiste na tese de uma inocência que só pode oscilar entre a esperteza a la Macunaíma e a insanidade e vitimismo típicos dos socialistas/comunistas ao longo da história.

Ele é fruto de um país doente. Ele só tornou-se este mito que todos cultuaram (e alguns ainda cultuam) baseado em três pilares fundamentais: 1) a ignorância, analfabetismo funcional e/ou total do povo brasileiro, 2) A miopia política fundada em uma série de mitos como o da falsa história socialista e bolivariana da América Latina, a necessidade de ideologias revolucionárias travestidas de populares, quando são bem mais genocidas e sem moral alguma e 3) Os velhos males de uma república brasileira, de uma suposta democracia e de uma natureza jurídico-política totalmente distorcida. Quando se liga a televisão e vê-se a quantidade de mentiras que dizem ser história podemos ter certeza da profundidade deste poço. Em um país com estas características Lula fez-se o que é.

Tal qual um bufão, tal qual um mestre em sedição e toda sorte de conchavos e joguetes, Lula ascendeu no caos e no molho político de um país perdido. À sombra de um presidente inventado, que foi Fernando Collor, este foi o prato do dia. Depois de um presidente impopular, e igualmente questionável que foi Fernando Henrique Cardoso, surgiu como alternativa possível. Eis o segredo de Lula: um cidadão patrocinador da ignorância, da aversão ao conhecimento e da pobreza como condição eterna do indivíduo. Com o petismo de Lula, se é que as pessoas não perceberam ainda, o pobre nunca deixa a condição de pobre. O pobre é ungido no consumismo, no populismo barato, no discurso oportunista e desonesto. A expressão "avanços sociais", "conquistas do povo" é a maior mentira do legado Lula. O verdadeiro legado de Lula é um triplex cuja posse atribui cinicamente a sua mulher falecida, no melhor estilo de um esperto não daria o "vacilo" de mostrar aquilo que tem. O legado de Lula é uma empresa como a Petrobrás falida, um BNDES emprestando dinheiro e enriquecendo republiquetas bolivarianas. O legado de Lula é um país mergulhado no caos assombroso e na violência sem fim, que ele insiste em jogar no colo da sua criação Michel Temer. Dilma, a sua outra contribuição à política brasileira, somente acabou, com a sua inépcia, o resto do Brasil que já estaria comprometido pelo jogo lulista de regresso ao poder.

Um ditador em potencial. Um populista cuja moral permite que ele enfrente o judiciário e faça o mais ridículo, que é ignorar provas e factos em troca de uma retórica das mais rasteiras possíveis. Lula é o ocaso do Brasil. Um retrato fiel do anti-Dorian Gray. Alguém que torna-se cada vez mais culpado sempre que alega inocência. Aquele que transforma o velório da mãe de seus filhos em um espetáculo midiático. Alguém que é capaz de qualquer coisa para colocar o poder em suas mãos. Assim é que se faz um mito de desonestidade, tão comum em um país onde todos se vangloriam de ser relativistas morais e "espertos" sempre que podem. Um país de natureza podre e que louva a impunidade e o mal caratismo só poderia ver em Lula o ídolo mor. Eis a questão.


Eustáquio Silva. 

terça-feira, 27 de junho de 2017

Como se engana um aluno sobre história.

A história de todas as sociedades que existiram até nossos dias tem sido a história da luta de classes. Homem livre e escravo, patrício e plebeu, barão e servo, mestre de corporação e companheiro, numa palavra opressores e oprimidos, em constante oposição, têm vivido numa guerra ininterrupta, ora franca, ora disfarçada; uma guerra que terminou sempre, ou por uma transformação revolucionária, da sociedade inteira, ou pela destruição das duas classes em luta.

Marx (e Engels) começam assim o famoso Manifesto do Partido Comunista de 1848 e marcam assim a maneira como todos os historiadores, cônscios ou não da influência marxista, parecem promover a visão que possuam da história em si. Uma espécie de alienação coletiva promovida por esta função inunda destrutivamente a lição de história e forma o maior produto de engano e de profundo desconhecimento já confecionados pela cultura humana. São verdadeiras legiões de professores doutrinados e gerações tornadas ignorantes quando resumem a tudo entre esquerda e direita, entre bons e maus, mocinhos e bandidos, em suma, nestas tão faladas duas classes sociais, independente se existam outros atores sociais envolvidos. As minorias sociais de hoje ganham o adjetivo "oprimidos". O negro é oprimido. O gay é oprimido. A mulher é oprimida e assim por diante. Por outro lado se há oprimidos, pela lógica em voga nesta fôrma de pensamento, haverá um opressor. Então, o branco é opressor, o heterossexual é opressor, o homem é opressor e assim por diante. Imaginem, por conseguinte, que esta falácia de generalização identifica o mundo por estas lentes e, conforme seja o caso, constroem a história inteira a partir destas visões distorcidas e defeituosas. Este é o legado da doutrinação na narrativa e edificação de nossa memória. Os factos não mais interessam e sim os despistes e as ilusões úteis que são criadas. Como não reconhecer este modus operandi em nossos dias? Como não olhar para uma sala de aula do Brasil, ou de outros países, e perceber, por exemplo, que o cristão é o lado ruim e o islâmico o lado bom? Ou não identificar as destruições de reputação e descasos morais tendenciosos que diferenciam este "nós e eles"?

Esta velada, mas plenamente consciente, reconstrução da história, em verdade, sempre foi a reconstrução do mundo feita por um pórtico privilegiado. Nada é mais eficaz que você usar do meio mais efetivo de controlo de opiniões e ideias do que fazer tais ideias surgirem como lótus ideológica da lama que foi uma história forjada. O mundo contado por estes meios e com estas cores, parece-nos ser idealmente conferido para tal fim.

Por estas e outras é tão proveitoso usar a história como instrumento de mentira ideológica. É fecundo minar a verdade dos eventos e sobre as pessoas e construir mitos e consumar heróis. É fácil, relativamente fácil, demonizar alguns e santificar outros e esta tática é plenamente usada, sobretudo quando o assunto é tornar alguém acima do bem e do mal. Será que não lembram os meus caros leitores de pessoas como Che Guevara, Fidel Castro, Hugo Chávez, dentre outros?  E como não lembrar de verdadeiras destruições pessoais sofridas por quem não faz parte deste establishment?

Não custa nada perceber que foram anos e anos de fixação da história como alvo principal. Quem sabe o que é enfrentar uma sala de aula sabe o que é representativo dominar o discurso histórico, sobretudo porque sabe da influência da história na perspetiva das coisas e na elaboração da visão de mundo de qualquer pessoa. Mesmo que não haja interesse direto das pessoas pela matéria história, estas fazem diversos usos de suas ferramentas no quotidiano e o trabalho diuturno destes engodos, destes enganos tornam-se eficazes justamente porque são inseridos quase que subliminarmente na cabeça de gerações de jovens. E não adianta atacar a superfície. Não consegue-se evidenciar tais males apenas dando a vaga ideia de que as coisas resumem-se a confrontar economicamente ou politicamente as coisas. Tal submundo está na sala de aula. Na qual palavras como a de Marx e Engels que iniciam este texto, tornam-se dogmas. Ninguém hoje percebe a história de outro jeito. Ninguém hoje parece perceber que existe história fora deste vidro. Eis o grande mal causado pelo marxismo em geral e pelos marxismos em particular, e não só. Por isto é pertinente repetir o título desta mensagem, pois é extremamente verdadeiro e certeiro: como se engana um aluno sobre história.


Eustáquio Silva  

sábado, 17 de junho de 2017

O século XXI e a história em fragmentos


Posso começar este texto com uma assertiva: não é possível, hoje em dia, contar uma história em mais de um parágrafo. Nós vivemos a mais pálida e imprecisa época para conhecer-se a história e poder produzi-la. Vivemos um tempo de desconstrução gradual de uma narrativa para prender-se aos fragmentos, às migalhas ideológicas, ao pouco caldo de uma crónica ignorante sobre a realidade. E esta aversão ao conhecimento dos factos e das pessoas reproduz um panteão de opiniões falsas e de má fé científica, sobretudo no discurso histórico. Senão vejamos alguns exemplos claros deste ponto.

Causa-me impressão a imprensa, os cursos de história, as universidades e o grupo denominado "esquerda" em todas as suas vertentes produzir afirmações inválidas e mentirosas sobre tantos assuntos. Um deles é a não relação de Israel com Jerusalém. Parece-me uma piada de péssimo gosto ter que falar sobre isto, mas é isto que ocorre realmente em lições ideológicas sobre história. O movimento pró-Palestina engole a realidade. Distorce a realidade. É uma sequência de falácias produzidas com um único intuito: legitimar os chamados "vencidos" da fantasia que Walter Benjamin chamou de história. Este pensador marxista, inclusive, é o responsável por sandices deste género que foram ponta de lança para uma ignorância grotesca sobre o passado, sobre o rasto cultural de tantos séculos e milênios. Este suposto filósofo foi um dos mais destacados destruidores de ciência que o ocidente já produziu, sob a aura de intelectual refinado e o panteão socialista criado.

Por conta disto Israel, o sionismo de um modo geral, o governo israelita em particular, sofrem continuadas acusações dos media. Muitas mutilações cognitivas são produzidas e o resultado é uma sucessão de horrores como o desfazimento do Estado de Israel a devolver-se a Palestina toda a terra. A ONU é ativa mentora deste domínio, com a ajuda do ex-presidente dos EUA Barack Obama. O que não encaixa é que na história da criação do estado israelita está a mesma Organização das Nações Unidas que agora quer extirpar da realidade aquilo que ajudou a tornar existente. Este é um tema que por si merece uma mensagem neste blog em particular. Mas à guisa de exemplo vale a pena deixar bem demarcada esta contradição clamorosa acerca de tantos assuntos e posturas que este mundo divorcidado de seu pretérito produz dia a dia.

Os mitos, os heróis criados e as farsas contadas várias vezes até tornarem-se verdades são um capítulo à parte. Zumbi dos Palmares ganhou dia de reflexão, mesmo sendo um dos mais cruéis perseguidores de negros e outras etnias de seu tempo. Lampião ganhou a aura de protetor dos pobres quando, em verdade, é apenas um criminoso que tinha grande sede por sangue. Marighella, exímio terrorista, e mais lido pelos terroristas islâmicos, em seu Manual de Guerrilha, foi alçado ao estado de herói sem mérito algum. Apenas porque estes vultos brasileiros agradam aos culturalistas estão nesta lista. Santificados que foram. O  Papa Francisco produz uma legião de fãs entre os não religiosos apenas porque tenta fazer um discurso ecuménico, em muitas vezes contrário aos dogmas da Igreja que preside, mas Bento XVI ou João Paulo II (este santo) são vistos com péssimos olhos. João Paulo II, por sinal, viu de perto a queda da sua Polônia para o regime sanguinário de Moscou. Mas isto não veio ao caso. O que importa é chamar ditadores, como o recém falecido Fidel Castro, de marcas pessoais de luta pelo povo. Até mesmo este autoritário cubano falou mais de uma centena de vezes a frase que simboliza seus companheiros socialistas e comunitas: "a história me inocentará".

Assim é feita esta história simpática e de migalhas. Não há preocupação genuina com o facto, com a verdade, pois esta é relativa. Não há uma lógica interna. Não há uma distância considerável e recomendável do objeto para que o cientista tenha alguma credibilidade. Cursos de História - em países como o Brasil, por exemplo - produzem iniciados apaixonados e com uma crença indecorosa na cartilha marxista e derivada deste - como o engenhoso edifício de areia gramsciano. O que menos faz sentido é o que é seguido. O que menos faz sentido é o determinado como certo. Faz grande impressão o quanto perde-se tempo com a mentira em nossos dias. Mas é o que sobra em terreno por onde a Escola de Frankfurt apartou a todos do bom senso.

Por estas e outras: o século XXI é o século líquido no pior sentido. Inverídico e totalmente cru. Sem respaldo real e completamente insano. Eis a realidade desmontada. Eis o fim de nossa história: não ter sentido algum.



Eustáquio Silva.

segunda-feira, 12 de junho de 2017

Por que o brasileiro não conhece D. Pedro II?


Não seria erro ou exagero dizer que o brasileiro não conhece a história de seu próprio país. Poderíamos elencar dois grandes motivos a tal ignorância e, ainda, darmos um exemplo claríssimo de tal efeito da (des)educação que o Brasil sofreu e sofre todos estes anos. Agora permitam-me usar Portugal como contraponto em uma experiência vivida por mim, não há muito tempo.

Estava eu numa cafetaria portuense à espera de minha meia de leite quando fui surpreendido pelo teor da conversação do dono da casa e dois de seus clientes. Eles falavam sobre o rei D. João I, Mestre de Avis. O dono da cafetaria disse com ar professoral:

- Você sabe o porquê de D. João I ter em sua montaria uma corda?

- Não, respondeu o homem indagado.

- Ele o tem porque demonstra o domínio da razão sobre a força. E você bem o sabe que foi D. João I que mais teve que conviver com a força e com a turbulência para pacificar e manter Portugal livre de Castela...

- Sim, é verdade, respondeu o homem com ar de conhecimento adquirido.

Eu, que lá estava a tomar meu café, nesta altura, peguei meu bloco de apontamentos e registei esta conversação, pois é de meu profundo interesse todo o conhecimento que exista sobre história portuguesa e sua variação na história brasileira. Aprendi ao tomar café muito sobre um capítulo anedótico da história de Portugal em uma saída fortuita de casa, sobretudo porque foi a poucos metros de onde moro.

E isto seria possível no Brasil?

A partida sim. O Brasil, em relação à sua brevíssima casa imperial só tem dois representantes, a extrair os regentes da menoridade de D. Pedro II. Este foi imperador de 1841 a 1889, aquando da Proclamação da República. O seu pai D. Pedro I do Brasil (e D. Pedro IV de Portugal) governou muito pouco tempo o Brasil (cerca de nove anos) e este tempo não lá foram de grandes destaques de governação. Mas, conforme a história conta, o seu filho deixou um legado de grande estadista, de grande rei, de cultura vastíssima e de melhorias gigantes no país que encontrara. Mas e por qual razão nada disto passou ao conhecimento público? Aí entram os dois motivos sobre-citados.

Em primeiro lugar o Brasil não parece ter interesse em passar conhecimento. O professor de história, como vários outros, despeja conceções ideológicas como incontinência por toda a aula, e em todas as aulas. O aluno de história no Brasil sabe mais das distorções de Marx e da criação Che Guevara, ou mesmo do terrorista (é este o nome) Marighella, do que de sua casa imperial. A ignorância é tamanha que o nosso Ministro das Relações Exteriores, chefe da diplomacia brasileira, em uma manifestação gritante de desconhecimento que deveria envergonhar a todos, veio-nos brindar com a classificação de um "Orleáns e Bragança" como imigrante. Seria como um português chamar a Dinastia de Avis, por exemplo, de estrangeira. Erro crasso, mais que crasso, erro que demonstra o colapso completo do sistema educacional brasileiro, responsável por estar nas derradeiras posições na avaliação do PISA.

Para além disto, ainda há um outro motivo: pela presença do primeiro motivo, o brasileiro costuma ser manipulado na visão da história de acordo com os interesses antigos republicanos. Como a república no mundo costuma ter a aura de imaculada e fim último da inserção da democracia, em terras tupiniquins esta república veio e se impôs pela mentira ou omissão dos factos relacionados ao Império. Hoje vemos a Lula e seus asseclas dizerem que este foi o maior governante brasileiro diante da figura obscurecida, quase caída no ostracismo de D. Pedro II, um dos mais injustiçados nomes de nossa narrativa (nossa memória).

Graham Bell e Charles Darwin, por exemplo, para citar dois cientistas (concorde-se ou não com as suas teses, mas grandes representantes de suas áreas) reconheciam no imperador brasileiro homem de grande cultura e preocupação com o conhecimento. Foi em seu governo que foi criado o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e o conceituado Colégio Pedro II, que hoje tornou-se sinal de vergonha e ideologia partidária. Ali, senhoras e senhores, e na área de educação, saúde, cultura, o nosso imperador tirou o Brasil das sombras absolutas do analfabetismo e criou a primeira grande mudança social. A Lei Áurea, do fim de seu governo, e feita por sua filha, a Princesa Isabel, nada mais é do que uma representação do que houve sob seu interessado governo. Moderado e grande - profundo - conhecedor do país que tinha sob seus cuidados, D. Pedro II enunciou esta frase acima (sobre o dever duro de governar) como mantra, verdadeira vocação no sentido dado por Max Weber à política para o político. Mas tudo isto é ignorado por conta de uma orquestrada falta de conhecimento, grosseria científica de privilegiar Luís Carlos Prestes ou Getúlia Vargas a um grande governante como foi o altivo imperador, admirado por Machado de Assis. Daí a razão clara de vivermos este ostracismo total. Daí a resposta negativa à pergunta título significar tanto do desprezo e da alergia que o brasileiro desenvolveu pelo saber. Não é à toa que o país está como está.


Eustáquio Silva.