domingo, 21 de maio de 2017

Depois do abismo, o golpe: O Brasil pode ir mais fundo na imoralidade.

Depois do fundo do poço cava-se mais e lá o Brasil esconde-se moralmente. Este é o resumo daquilo que lemos, ouvimos e somos moldados a pensar da crise principalmente moral que assola o país. 

Como se não bastasse uma série monstruosa de delações (colaborações premiadas), nós fomos brindados com uma nova modalidade, aquela em que pessoas confessam crimes a milhares de políticos, inclusive presidentes, e vão para os EUA. Aquela em que a própria definição de "colaboração premiada" é traduzida bem melhor em acordo entre interessados do que qualquer outra coisa. A pergunta, deveras pertinente, de minha amiga, e consciente escritora, Claudia Wild, ecoa com toda a razão: a quem interessa tanta celeridade e tanta campanha da imprensa e de um partido que acabou de sair do governo e tem seu líder máximo investigado em cinco processos? A dúvida é retórica. Ninguém cogite a inocência do presidente Michel Temer que deve ser investigado por receber em sua residência um contumaz criminoso (pela própria confissão dele). Todavia, por qual razão não houve perícia da Polícia Federal como em todos os outros casos, inclusive o da gravação da então presidente Dilma para o mesmo Lula oferecendo um termo de posse em clara obstrução da justiça, a mesma que pedem para prender o também criminoso Aécio Neves? 

O Brasil está por sofrer o golpe final dos desesperados envolvidos na sordidez de assalto ao país. Todos unem-se nos bastidores para anular a Operação Lava Jato e contam com a anuência de falsos heróis e da grande e desacreditada imprensa para conseguirem atingir a seus objectivos. O ritmo da lama está a envolver procuradores do Ministério Público Federal, Juízes de instâncias superiores, advogados, políticos dos dois poderes (legislativo e executivo) e culminam em figuras públicas ligadas por laços espúrios ao mar de piche em que estamos sendo afundados. 

Que o Brasil acabou não tem-se dúvidas. Que este país vai ainda mostrar mais desta podridão lê-se nas entrelinhas destas acções inconstitucionais dos que até agora disseram que "eles cuspiam na Constituição". Querem alterar as leis. Querem justificar os seus erros e querem punir quem pode puni-los. Isto é claro sinal de desordem interna. Diante deste sentimento, o de salvar os próprios pescoços, não tem como haver saldo positivo em economia. O país para. O país espera em crise pelos criminosos não pagaram por seus crimes. Lula, em todo o cinismo e arrogância peculiares, insiste que é o PT que irá combater a corrupção. Seleccionam agora aquilo que eu acho de indignação. Aceitam o processo quando convém. Afastam a este quando são os seus erros os escancarados. Em suma, a situação do Brasil é a de uma metástase de um cancro profundo e brutal. Não haverá mais salvação caso consigam alterar a lei e ponham as eleições directas em primeiro plano. Os rumos deste país são surreais e conformes aos da Venezuela. Aqui eu enxergo o grande perigo. Aqui eu tenho visto a grande artimanha. O Brasil acabou. Mas, enquanto cai num abismo sem fim, ainda aproveitam para mutilá-lo sem dó nem piedade. É isto que o maior país da América Latina foi tornado. Infelizmente... 


Eustáquio Silva 

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