quinta-feira, 18 de maio de 2017

O fim da República Federativa do Brasil


Senhoras e Senhores, a República Federativa do Brasil acabou. Esta não é uma frase dramática e nem fora de qualquer propósito. Se calhar,  até William Shakespeare diria haver algo de podre na coisa pública brasileira. As últimas revelações de um presidente - a comprar o silêncio de um ex-presidente da Câmara dos Deputados - simplesmente dinamitam qualquer chance deste país erguer-se perante o mal da corrupção. O fundo do poço parece, agora, está acima de nossas cabeças... 

Um país que teve a presidente Dilma a sofrer impeachment recentemente. Que vê o ex-presidente Lula, uma vez mais popular de todos os tempos, implicado em cinco processos penais, agora assiste a Michel Temer, actual presidente brasileiro e ao candidato de oposição na última eleição, Aécio Neves, caírem em escutas e imagens diante da corrupção, a marca registada deste país. A corrida ao cargo mor do executivo ainda conta com o presidente da câmara dos deputados, Rodrigo Maia, e o do Senado, Eunício Oliveira, todos citados na maior operação penal de todos os tempos: a Operação Lava Jato. Temer acaba de pronunciar-se pela não renúncia. Mas o governo está sepultado junto com toda a classe política que agora grita pateticamente por "Directas Já", uma inconstitucionalidade a mais de um processo de sujeira que supera em tamanho toda a Amazónia brasileira. Que mergulha no breu da amoralidade este país. 

A república deu errado desde o começo, com o seu golpe na monarquia em 1889. Estes 128 anos seguintes, no entanto, revelaram-se um autêntico fracasso. Uma vez que o aparelhamento dos poderes e sua convivência cínica chegam para provar definitivamente que o único ponto de evolução deste país nestes últimos anos foi a corrupção - e a sua consequente impunidade. Quando chegamos ao ponto de ver todo o espectro político implicado e figuras que foram destaque dos últimos quarenta anos de Brasil todas em flagrante delito de desonestidade sabemos que este país naufragou de vez. 

A intervenção militar cresce em necessidade. Esta não é uma frase boa a dizer-se. Nunca parece são que interrompa-se uma ordem institucional, porém a sua total fragilidade diante do assalto que os últimos anos de PT e PSDB fizeram (aliados ao PMDB) não nos deixa outro discurso possível. O mal chegou ao limite. Não temos mais para onde descer. Pedir que esperem da classe política, toda ela manchada pelo mal de encher os seus bolsos sem lisura e honestidade, que dê jeito com um grito maldoso de volta de um Lula, por exemplo, é jogar o país nas mãos de quem o destruiu. Não espere qualquer solução mágica e aguardem por interesses obscuros a mais em cima da mesa. Assim é o Brasil. Isto transformou o Macunaíma de Mário de Andrade na perfeita imagem diabólica do cidadão brasileiro, infelizmente. 

Amanhã não se sabe que tipo de Brasil ainda irá permanecer de pé. A economia voltará ao frangalho. As migalhas da república jazem moribundas. A crise não é mais a irresponsável marola que Lula, dentro de seu ilusionismo populista, uma vez professou. O Brasil, tal qual o Titanic, afunda rapidamente, enquanto a cantilena dos órfãos do PT parece tocar um violino desafinado com os refrões de "Lula lá". Não há espaço para retrocessos, aliás, o país parece perecer totalmente num mal espesso e enlameado. 

Por isto, senhoras e senhores, esperemos o desenrolar das próximas delações e das próximas cenas de uma novela pavorosa e destrutiva para ver a que ponto este país de alma mortas ainda apodrecerá sem corpo sepulto. Uns, tal qual Antígona, ou seria a Anti- Antígona, exigem que o país enterre-se com a indecência de criminosos governarem novamente. Pessoas que ameaçaram como Lula o fez o judiciário e a imprensa livre de prisão, visão de uma ditadura socialista à vista. Ordem e progresso nunca existiram neste intervalo. Ou República ou Nada parece ter-se revelado em nada. O que será amanhã? Não sei. Mas o Brasil, flagrantemente, acabou. 


Eustáquio Silva 

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