quarta-feira, 17 de maio de 2017

Venezuela manchada de sangue ...

A quem tem interessado a situação da Venezuela? A grande imprensa, comprometida em culpar Israel pela suposta "escravidão" suportada por meia dúzia de afirmações de que a Palestina é eterna vítima do algoz de todos os tempos? A ONU, que em nada manifestou alguma indignação perante as investidas do ditador Nicolas Maduro que deixa o seu povo com ordenado suficiente apenas a comprar uma cebola fictícia por mês? A cultura "politicamente correcta", a mesma que chama ao Islão de "religião da paz" e persegue o cristianismo como o único mal verdadeiro de toda a história (a não dizer a perseguição clássica dos judeus)? Não, ninguém, de facto, parece importar-se com os vários mortos diários do povo em manifestação contra um presidente que quer eternizar-se no poder. Não há textos, não há "hashtags", não há manifestações. Não vejo grupos ditos de forte voz cujo grito seja "Venezuela Livre" tal qual a "Palestina livre". O silêncio conivente assusta e abandona o povo do país sul-americano a um futuro sombrio. Pessoas morrem e líderes de oposição são aprisionados todos os dias sem que a história presente faça algo para mudar tal cena. Verdadeiros horrores são postos na vala do silêncio, como corpos de todos os tamanhos (homens e mulheres, crianças e idosos) que só cometeram o pecado de discordarem das pretensões absolutistas de um Maduro obcecado pelo poder. 

O PSOL (Partido Socialismo e Liberdade - partido político socialista, com nome totalmente contraditório e impossível) mantinha forte apoio à situação da Venezuela a qual chamava de "país democrático", o que mudou apenas com o decreto de Maduro de tirar o poder legislativo das mãos de deputados e colocá-lo no Judiciário, em maioria seus seguidores, ou, ainda, nele mesmo. Como hoje em dia é muito mais difícil mentir ao povo e sustentar argumentos contra factos sabidos por muitos, tentam esconder que milhões vãos às ruas contra este regime autoritário. Muitos são presos e agredidos e tantos outros desaparecem ou perdem seu direito mínimo de liberdade e de expressão. Manifestações de chamarem aos adversários daquilo que são abundam na ideologia bolivariana, filha legítima do leninismo clássico do leste europeu. E assim a Venezuela segue cativa e vítima contumaz destes atacantes sem escrúpulos que possuem a célere e costumeira vontade de perpetuarem-se no poder pela força. Isto não é combatido por vários veículos de opinião pública e opositores são mantidos presos ou têm a sua reputação assassinada por uma sequência de actos questionáveis de um governo que assalta um país a ponto deste não ter comida para as pessoas e a criminalidade ser por sobrevivência pura e simples tornando um estado, que deveria ser soberano, em presa fácil e constante de uma série de aproveitadores. Enquanto a Venezuela é manchada de sangue e das campas dos mortos do povo sofrido, alguns preferem chamar de "golpe" o processo de Impedimento da Ex-Presidente Dilma. O que vale a estas pessoas antes é a ideologia do que o bom senso e sempre será assim. Enquanto isto estou à espera das severas críticas a Venezuela. Até quando? Não sei... 


Eustáquio Silva  

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