terça-feira, 27 de junho de 2017

Como se engana um aluno sobre história.

A história de todas as sociedades que existiram até nossos dias tem sido a história da luta de classes. Homem livre e escravo, patrício e plebeu, barão e servo, mestre de corporação e companheiro, numa palavra opressores e oprimidos, em constante oposição, têm vivido numa guerra ininterrupta, ora franca, ora disfarçada; uma guerra que terminou sempre, ou por uma transformação revolucionária, da sociedade inteira, ou pela destruição das duas classes em luta.

Marx (e Engels) começam assim o famoso Manifesto do Partido Comunista de 1848 e marcam assim a maneira como todos os historiadores, cônscios ou não da influência marxista, parecem promover a visão que possuam da história em si. Uma espécie de alienação coletiva promovida por esta função inunda destrutivamente a lição de história e forma o maior produto de engano e de profundo desconhecimento já confecionados pela cultura humana. São verdadeiras legiões de professores doutrinados e gerações tornadas ignorantes quando resumem a tudo entre esquerda e direita, entre bons e maus, mocinhos e bandidos, em suma, nestas tão faladas duas classes sociais, independente se existam outros atores sociais envolvidos. As minorias sociais de hoje ganham o adjetivo "oprimidos". O negro é oprimido. O gay é oprimido. A mulher é oprimida e assim por diante. Por outro lado se há oprimidos, pela lógica em voga nesta fôrma de pensamento, haverá um opressor. Então, o branco é opressor, o heterossexual é opressor, o homem é opressor e assim por diante. Imaginem, por conseguinte, que esta falácia de generalização identifica o mundo por estas lentes e, conforme seja o caso, constroem a história inteira a partir destas visões distorcidas e defeituosas. Este é o legado da doutrinação na narrativa e edificação de nossa memória. Os factos não mais interessam e sim os despistes e as ilusões úteis que são criadas. Como não reconhecer este modus operandi em nossos dias? Como não olhar para uma sala de aula do Brasil, ou de outros países, e perceber, por exemplo, que o cristão é o lado ruim e o islâmico o lado bom? Ou não identificar as destruições de reputação e descasos morais tendenciosos que diferenciam este "nós e eles"?

Esta velada, mas plenamente consciente, reconstrução da história, em verdade, sempre foi a reconstrução do mundo feita por um pórtico privilegiado. Nada é mais eficaz que você usar do meio mais efetivo de controlo de opiniões e ideias do que fazer tais ideias surgirem como lótus ideológica da lama que foi uma história forjada. O mundo contado por estes meios e com estas cores, parece-nos ser idealmente conferido para tal fim.

Por estas e outras é tão proveitoso usar a história como instrumento de mentira ideológica. É fecundo minar a verdade dos eventos e sobre as pessoas e construir mitos e consumar heróis. É fácil, relativamente fácil, demonizar alguns e santificar outros e esta tática é plenamente usada, sobretudo quando o assunto é tornar alguém acima do bem e do mal. Será que não lembram os meus caros leitores de pessoas como Che Guevara, Fidel Castro, Hugo Chávez, dentre outros?  E como não lembrar de verdadeiras destruições pessoais sofridas por quem não faz parte deste establishment?

Não custa nada perceber que foram anos e anos de fixação da história como alvo principal. Quem sabe o que é enfrentar uma sala de aula sabe o que é representativo dominar o discurso histórico, sobretudo porque sabe da influência da história na perspetiva das coisas e na elaboração da visão de mundo de qualquer pessoa. Mesmo que não haja interesse direto das pessoas pela matéria história, estas fazem diversos usos de suas ferramentas no quotidiano e o trabalho diuturno destes engodos, destes enganos tornam-se eficazes justamente porque são inseridos quase que subliminarmente na cabeça de gerações de jovens. E não adianta atacar a superfície. Não consegue-se evidenciar tais males apenas dando a vaga ideia de que as coisas resumem-se a confrontar economicamente ou politicamente as coisas. Tal submundo está na sala de aula. Na qual palavras como a de Marx e Engels que iniciam este texto, tornam-se dogmas. Ninguém hoje percebe a história de outro jeito. Ninguém hoje parece perceber que existe história fora deste vidro. Eis o grande mal causado pelo marxismo em geral e pelos marxismos em particular, e não só. Por isto é pertinente repetir o título desta mensagem, pois é extremamente verdadeiro e certeiro: como se engana um aluno sobre história.


Eustáquio Silva  

sábado, 17 de junho de 2017

O século XXI e a história em fragmentos


Posso começar este texto com uma assertiva: não é possível, hoje em dia, contar uma história em mais de um parágrafo. Nós vivemos a mais pálida e imprecisa época para conhecer-se a história e poder produzi-la. Vivemos um tempo de desconstrução gradual de uma narrativa para prender-se aos fragmentos, às migalhas ideológicas, ao pouco caldo de uma crónica ignorante sobre a realidade. E esta aversão ao conhecimento dos factos e das pessoas reproduz um panteão de opiniões falsas e de má fé científica, sobretudo no discurso histórico. Senão vejamos alguns exemplos claros deste ponto.

Causa-me impressão a imprensa, os cursos de história, as universidades e o grupo denominado "esquerda" em todas as suas vertentes produzir afirmações inválidas e mentirosas sobre tantos assuntos. Um deles é a não relação de Israel com Jerusalém. Parece-me uma piada de péssimo gosto ter que falar sobre isto, mas é isto que ocorre realmente em lições ideológicas sobre história. O movimento pró-Palestina engole a realidade. Distorce a realidade. É uma sequência de falácias produzidas com um único intuito: legitimar os chamados "vencidos" da fantasia que Walter Benjamin chamou de história. Este pensador marxista, inclusive, é o responsável por sandices deste género que foram ponta de lança para uma ignorância grotesca sobre o passado, sobre o rasto cultural de tantos séculos e milênios. Este suposto filósofo foi um dos mais destacados destruidores de ciência que o ocidente já produziu, sob a aura de intelectual refinado e o panteão socialista criado.

Por conta disto Israel, o sionismo de um modo geral, o governo israelita em particular, sofrem continuadas acusações dos media. Muitas mutilações cognitivas são produzidas e o resultado é uma sucessão de horrores como o desfazimento do Estado de Israel a devolver-se a Palestina toda a terra. A ONU é ativa mentora deste domínio, com a ajuda do ex-presidente dos EUA Barack Obama. O que não encaixa é que na história da criação do estado israelita está a mesma Organização das Nações Unidas que agora quer extirpar da realidade aquilo que ajudou a tornar existente. Este é um tema que por si merece uma mensagem neste blog em particular. Mas à guisa de exemplo vale a pena deixar bem demarcada esta contradição clamorosa acerca de tantos assuntos e posturas que este mundo divorcidado de seu pretérito produz dia a dia.

Os mitos, os heróis criados e as farsas contadas várias vezes até tornarem-se verdades são um capítulo à parte. Zumbi dos Palmares ganhou dia de reflexão, mesmo sendo um dos mais cruéis perseguidores de negros e outras etnias de seu tempo. Lampião ganhou a aura de protetor dos pobres quando, em verdade, é apenas um criminoso que tinha grande sede por sangue. Marighella, exímio terrorista, e mais lido pelos terroristas islâmicos, em seu Manual de Guerrilha, foi alçado ao estado de herói sem mérito algum. Apenas porque estes vultos brasileiros agradam aos culturalistas estão nesta lista. Santificados que foram. O  Papa Francisco produz uma legião de fãs entre os não religiosos apenas porque tenta fazer um discurso ecuménico, em muitas vezes contrário aos dogmas da Igreja que preside, mas Bento XVI ou João Paulo II (este santo) são vistos com péssimos olhos. João Paulo II, por sinal, viu de perto a queda da sua Polônia para o regime sanguinário de Moscou. Mas isto não veio ao caso. O que importa é chamar ditadores, como o recém falecido Fidel Castro, de marcas pessoais de luta pelo povo. Até mesmo este autoritário cubano falou mais de uma centena de vezes a frase que simboliza seus companheiros socialistas e comunitas: "a história me inocentará".

Assim é feita esta história simpática e de migalhas. Não há preocupação genuina com o facto, com a verdade, pois esta é relativa. Não há uma lógica interna. Não há uma distância considerável e recomendável do objeto para que o cientista tenha alguma credibilidade. Cursos de História - em países como o Brasil, por exemplo - produzem iniciados apaixonados e com uma crença indecorosa na cartilha marxista e derivada deste - como o engenhoso edifício de areia gramsciano. O que menos faz sentido é o que é seguido. O que menos faz sentido é o determinado como certo. Faz grande impressão o quanto perde-se tempo com a mentira em nossos dias. Mas é o que sobra em terreno por onde a Escola de Frankfurt apartou a todos do bom senso.

Por estas e outras: o século XXI é o século líquido no pior sentido. Inverídico e totalmente cru. Sem respaldo real e completamente insano. Eis a realidade desmontada. Eis o fim de nossa história: não ter sentido algum.



Eustáquio Silva.

segunda-feira, 12 de junho de 2017

Por que o brasileiro não conhece D. Pedro II?


Não seria erro ou exagero dizer que o brasileiro não conhece a história de seu próprio país. Poderíamos elencar dois grandes motivos a tal ignorância e, ainda, darmos um exemplo claríssimo de tal efeito da (des)educação que o Brasil sofreu e sofre todos estes anos. Agora permitam-me usar Portugal como contraponto em uma experiência vivida por mim, não há muito tempo.

Estava eu numa cafetaria portuense à espera de minha meia de leite quando fui surpreendido pelo teor da conversação do dono da casa e dois de seus clientes. Eles falavam sobre o rei D. João I, Mestre de Avis. O dono da cafetaria disse com ar professoral:

- Você sabe o porquê de D. João I ter em sua montaria uma corda?

- Não, respondeu o homem indagado.

- Ele o tem porque demonstra o domínio da razão sobre a força. E você bem o sabe que foi D. João I que mais teve que conviver com a força e com a turbulência para pacificar e manter Portugal livre de Castela...

- Sim, é verdade, respondeu o homem com ar de conhecimento adquirido.

Eu, que lá estava a tomar meu café, nesta altura, peguei meu bloco de apontamentos e registei esta conversação, pois é de meu profundo interesse todo o conhecimento que exista sobre história portuguesa e sua variação na história brasileira. Aprendi ao tomar café muito sobre um capítulo anedótico da história de Portugal em uma saída fortuita de casa, sobretudo porque foi a poucos metros de onde moro.

E isto seria possível no Brasil?

A partida sim. O Brasil, em relação à sua brevíssima casa imperial só tem dois representantes, a extrair os regentes da menoridade de D. Pedro II. Este foi imperador de 1841 a 1889, aquando da Proclamação da República. O seu pai D. Pedro I do Brasil (e D. Pedro IV de Portugal) governou muito pouco tempo o Brasil (cerca de nove anos) e este tempo não lá foram de grandes destaques de governação. Mas, conforme a história conta, o seu filho deixou um legado de grande estadista, de grande rei, de cultura vastíssima e de melhorias gigantes no país que encontrara. Mas e por qual razão nada disto passou ao conhecimento público? Aí entram os dois motivos sobre-citados.

Em primeiro lugar o Brasil não parece ter interesse em passar conhecimento. O professor de história, como vários outros, despeja conceções ideológicas como incontinência por toda a aula, e em todas as aulas. O aluno de história no Brasil sabe mais das distorções de Marx e da criação Che Guevara, ou mesmo do terrorista (é este o nome) Marighella, do que de sua casa imperial. A ignorância é tamanha que o nosso Ministro das Relações Exteriores, chefe da diplomacia brasileira, em uma manifestação gritante de desconhecimento que deveria envergonhar a todos, veio-nos brindar com a classificação de um "Orleáns e Bragança" como imigrante. Seria como um português chamar a Dinastia de Avis, por exemplo, de estrangeira. Erro crasso, mais que crasso, erro que demonstra o colapso completo do sistema educacional brasileiro, responsável por estar nas derradeiras posições na avaliação do PISA.

Para além disto, ainda há um outro motivo: pela presença do primeiro motivo, o brasileiro costuma ser manipulado na visão da história de acordo com os interesses antigos republicanos. Como a república no mundo costuma ter a aura de imaculada e fim último da inserção da democracia, em terras tupiniquins esta república veio e se impôs pela mentira ou omissão dos factos relacionados ao Império. Hoje vemos a Lula e seus asseclas dizerem que este foi o maior governante brasileiro diante da figura obscurecida, quase caída no ostracismo de D. Pedro II, um dos mais injustiçados nomes de nossa narrativa (nossa memória).

Graham Bell e Charles Darwin, por exemplo, para citar dois cientistas (concorde-se ou não com as suas teses, mas grandes representantes de suas áreas) reconheciam no imperador brasileiro homem de grande cultura e preocupação com o conhecimento. Foi em seu governo que foi criado o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e o conceituado Colégio Pedro II, que hoje tornou-se sinal de vergonha e ideologia partidária. Ali, senhoras e senhores, e na área de educação, saúde, cultura, o nosso imperador tirou o Brasil das sombras absolutas do analfabetismo e criou a primeira grande mudança social. A Lei Áurea, do fim de seu governo, e feita por sua filha, a Princesa Isabel, nada mais é do que uma representação do que houve sob seu interessado governo. Moderado e grande - profundo - conhecedor do país que tinha sob seus cuidados, D. Pedro II enunciou esta frase acima (sobre o dever duro de governar) como mantra, verdadeira vocação no sentido dado por Max Weber à política para o político. Mas tudo isto é ignorado por conta de uma orquestrada falta de conhecimento, grosseria científica de privilegiar Luís Carlos Prestes ou Getúlia Vargas a um grande governante como foi o altivo imperador, admirado por Machado de Assis. Daí a razão clara de vivermos este ostracismo total. Daí a resposta negativa à pergunta título significar tanto do desprezo e da alergia que o brasileiro desenvolveu pelo saber. Não é à toa que o país está como está.


Eustáquio Silva.

sexta-feira, 9 de junho de 2017

O mito do nazismo de direita

O artigo publicado por George Reisman no site Mises Brasil diz claramente: Por que o nazismo era socialismo e por que o socialismo é totalitário? fala bastante do que quero dizer neste texto sobre o mito nazista de "direita". Em primeiro lugar abro um parêntese: a nomenclatura esquerda e direita, típica da Revolução Francesa, não é-me predileta. Acho que há várias formas de poder referir-se a diferentes pontos e posturas políticas sem aludir a posição como estavam desenvolvidas as diferentes mentalidades na altura - ou no entorno - de 1789, em solo francês.

Segundo Reisman, a contribuição de Ludwig von Mises foi, decididamente, demonstrar a caracterização do estado nazista enquanto socialista. E este estado socialista de coisas, a partir de 1936 e em diante, transformou-se em autoritarismo e totalitarismo. O restante da história e demasiado conhecida e demasiado debatida há anos. A vertente do artigo é puramente económica, mas eu devo dizer que precisamos discuti-la, também, em um viés histórico.

O que mais define um estado socialista? A grande, eu diria, a enorme presença do Estado. Neste ponto a Alemanha dobrou-se sobre si. Não é um organismo internacional ou internacionalista como o comunismo, todavia é assim o comunismo, e não o socialismo. O socialismo pode, muito bem, ser totalitário e fechado. E neste ponto lembrem-se de um ponto da "ideologia nazista" que geralmente passa despercebido: a eugenia. A raça ariana não pode ser, ou não deveria ser, ao menos, fechada exclusivamente sobre um povo, pois a definição de estado não abarca - ao menos teoricamente - a presença de invidíduos de uma raça inteira. Há judeus no mundo inteiro. O que os faz judeus não é pertencer a Israel como cidadão, mas a pertença às tradições e culturas, principalmente ao herdamento da religião. Isto deve ser muito bem pensado para que não pousemos a raça ariana apenas sobre o solo alemão. O controlo militar e político é uma coisa, a ideologia e cosmologia nazista são outra e bem distinta coisa.

Vale ressaltar que mesmo o chamado radicalismo de direita não é perseguidor das personagens que o nazismo foi. O nazismo, ou "O nacional socialismo", é, na verdade, uma espécie de socialismo. Assim como o socialismo fabiano, assim como o "socialismo e liberdade" (sic). Este socialismo nacional, que também cobre o fascismo, historicamente tem elementos em comum com o socialismo tradicional ou científico e não o capitalismo que escolheram para coloca-lo no espectro. Alguém já viu algum capitalismo, por mais mascarado que seja, sem a liberdade de mercado e a liberdade de fazer-se mercado? Alguém já viu fazer-se mercado livre com restrições de povos e pessoas no mundo contemporâneo? Mesmo em passos mais antigos da história é possível ver comércio entre reinos em guerra, pois o comércio independe das vicissitudes bélicas, a não ser que estejamos a falar de uma guerra ideológica, e era esta a fomentada pelo nazismo contra os seus inimigos. Como se não bastasse a lógica dos factos, não convencem-se nem da filologia dos nomes, então há dificuldades de manter-se este discurso.

Qualquer pessoa, em sã consciência, percebe que o nazismo era socialista, sobretudo se seguir não só a linha económica, mas a social e a política da época. Qualquer pessoa igualmente longe da insânia pode vislumbrar que os passos da confirmação do nazismo no poder (e até a sua queda) sugerem necessariamente que houve a mesma sequência de eventos que existe em ascensões socialistas mundo afora. Primeiramente algo junto ao povo. Em nome da democracia. Contra a tirania dos "outros". Depois que se assume o poder, a vigilância, a falta de respeito pela diferença e a perseguição e censura declaradas em nome do decoro, dos limites morais e assim por diante. Até hoje tentam negar os mortos do comunismo, mas aos do nazismo ninguém ousa fazê-lo. Porém a estratégia é retira-los do espectro da "esquerda"e por isso construíram o mito que existem totalitarismos de um lado que não o socialista neste sentido. Percebam a isto e estarão vendo a lógica mitológica existente.


Eustáquio Silva


quarta-feira, 7 de junho de 2017

A queda do ocidente e o "Oitenta e oito".

Poucas coisas são tão notórias em nosso tempo, em nossos dias, do que o declínio ocidental. Mas não é o bastante lançarmos aos leitores esta impactante expressão sem explicar aquilo que entende-se por "ocidente". Ocidente é justamente, e não apenas um conceito geográfico, topográfico, o trecho de terra, do planeta, no qual desenvolveram-se grande parte da nossa civilização. Nas eras imediatamente anteriores a Cristo e depois dele, foi neste campo da terra que temos contada a história e disseminada a cultura que deu origem a boa parte do mundo que hoje vemos. Foi no "oeste", ou melhor dito, no ocidente que tivemos três grandes pontos históricos, agrupamento de pessoas ou produção cultural que transformaram o mundo definitivamente.

A filosofia grega: um movimento que começou com a construção do mito e foi ladeada pela edificação do teatro, das artes e da ciência grega. Mas foi a Filosofia grega quem destacou para mundo conceitos que perduram e nutrem este grande grupo que são os ocidentais. Os pensadores de antes de Sócrates até as portas do domínio romano legaram-nos conhecimentos de cosmologia, astrologia, ciências, lógica, metafísica, dentre outros, que foram grande base do conhecimento humano. A ética grega deveria ainda hoje ser alicerce das acções e relações entre os homens, e mesmo que não tenham criado muitos de seus conceitos, foi com a sua visão de síntese, quase euclidiana de construção geométrica, que expandiu-se o que hoje chamamos de cultura de berço.

O Direito Romano: pelo qual cunhamos conceitos, nem sempre favoráveis a meu pensamento, mas que são, indubitavelmente, pilares de nosso mundo: república, propriedade privada e pública, justiça, dentre tantos outros. Por este caminho os séculos edificaram um direito que pode-se considerar melhor acabado do que o primitivismo, do que o barbarismo cuja melhor manifestação seriam vistos onde o direito romano não possuiu influência alguma.

A ética, o modo de vida judaico-cristão: o complemento de intelecto, leis e conduta, em verdade, só pode ser o conteúdo, o espírito interno desta sociedade ou destas sociedades. E é a rica completude entre judaísmo e cristianismo quem produziu este fecho. Na verdade, a nossa moral e a nossa valoração das coisas perpassa aquela descrita e vivida no seio destas religiões ou de conceções que nasceram deste meio. O judaico-cristão cimenta uma harmonia entre a esfera intelectiva e social do homem com o elemento espiritual necessário ao bem viver e ao bem agir.

Este modelo ocidental de vida começou a ser combatido, implodido, justamente com a Revolução Francesa. O Iluminismo refundava as bases filosóficas tirando da filosofia grega e medieval o seu papel essencial. A ideia cartesiana de cogito estava posta em primeiro plano numa elegia à razão de dentro do indivíduo. A ascensão do idealismo era complementada pelo fluxo do empirismo exagerado (e distorcido) cuja principal função seria legitimar uma visão nova. A isto serviram Diderot (e a Enciclopédia), Voltaire (e o Cândido) e Condillac (e o Sensualismo, uma espécie de super-empirismo). Estava assim ferida a epiderme do mundo ocidental.

Na mesma revolução houve uma nova guinada jurídico-legal. O espírito das leis mudou. Rousseau também foi grande contribuinte para isto. A natureza humana foi refundada e, com ela, também foi refundada a sociedade. As máximas de lei eram agora voltadas para direitos e não mais - ou de forma menos clara - ao par, ao binómio direitos e deveres. Assim o direito romano rebatizado pelo contributo dos direitos de costumes bárbaros, estava oficialmente em xeque.

Por fim, e ainda no âmbito desta refundação da natureza humana, por exemplo, as bases do judaico-cristão estiveram desde 1789 (ou de antes disto) a serem combatidas. A questão teológica relegada a um porão frio e de pouca frequência de visitas. O laico sobe ao campo de obrigação. O religioso perde a dimensão espiritual e torna-se "social", "engajado", a caridade foi substituída pela filantropia. O espírito de auxílio aos necessitados ao de bandeira ideológica. Caía em xeque o último pilar. Trincava a última grande ideia e atitude ocidental. O problema estava posto.

O que vem depois? Aí está o maior perigo. Questionar a filosofia grega, o direito romano e a moral judaico-cristã trouxe-nos coisas nada avançadas e nada queridas. A ideia de igualdade passou a construir horizontes como o de uma globalização política e uma padronização de comportamentos. O politicamente correto, seletivo e questionável, promove uma campanha de aceitação massiva de elementos externos, em nome da convivência, da aceitação e do não-preconceito. O islão, incompatível com o ocidente passou a ser a única grande religião que o culturalismo quer doutrinar como a aceite. O cristianismo e o judaísmo, seus defensores ou mesmo seguidores, são a crítica da vez. Protestos artísticos de deboche destas duas religiões multiplicam-se a todo tempo. A conformação social é a de um ambiente de liberdade, de igualdade e de uma fraternidade, mesmo que somente de conveniência e entre os pares. Da revolução francesa vieram, a reboque, a revolução russa e todas as suas consequências; as pequenas revoluções dos últimos dois séculos e os chamados movimentos de minorias sociais. O mundo não era mais aquele. O ocidente não é mais ocidente.

Esta figura e estado de coisas faz surgir uma petição. Uma necessidade. Como o louco homem, que após a revolução francesa, grita "oitenta e oito" numa tentativa desesperada de viver o antes. Isto é impossível. Mas o conservadorismo é o não à revolução francesa e suas derivadas. O conservador, desde Burke, põe-se como última instância contrária a tudo isto que aquele ano de 1789 representou. O conservador é justamente aquele guardião destes três pilares, único guardião, que os faz ainda não serem mortos. Luta contra tudo e todos. É simplesmente um grande lutador em suas poucas ocasiões contra a máquina revolucionária de nossos tempos. A rebeldia que mata, que escraviza em nome da liberdade e que passou a ser referência de como agir e de como pensar. Só com esta visão das coisas pode-se notar o tamanho da crise. E, espero eu, que o mundo perceba a isto em tempo. Ou as coisas serão piores em breve, bem em breve.



Eustáquio Silva.

domingo, 4 de junho de 2017

O Islão consome o ocidente

Por mais que queiram dizer o contrário, o Islão consome aquilo que convencionou-se chamar de ocidente. Aos bocados os seguidos actos de terrorismo demonstram, de um lado, a força que estes grupos possuem em atacar aos seus inimigos com intermitência. Por outro lado mostram a absoluta fragilidade misturada com certa permissividade e tino ideológico com que países da chamada União Europeia respondem a estas investidas vindas do leste.

Londres sofreu mais um ataque. Manchester já sofrera outro. A Inglaterra passou a ser alvo do terror muçulmano. E estou correcto ao dizer terror muçulmano. Em outra religião não existe este procedimento e este modus operandi terrorista. Em outro credo religioso não há a absoluta intolerância estampada em letras enormes como há no colo da religião de Corão. Corão este que manda sem qualquer puder "cortar a garganta dos infiéis...", que autoriza fazer com que a guerra santa não cesse de combater o infiel com a morte. Aliás, infiel é todo aquele que não é muçulmano, mas, e principalmente, o cristão e o judeu. Os dois são os reais adversários milenares do islamismo. Tanto um quanto o outro seriam os obstáculos para a tomada global do islão. Ainda bem que são e queira Deus que sejam por muito tempo.

O que vimos em Londres é somente mais um passo no combate ao mundo ocidental tal qual temos visto mundo afora em todas as partes. O que é imperdoável é o tratamento da imprensa ao caso. Insistem, de forma já totalmente injustificada, em chamar de atitudes isoladas a todos os ataques terroristas sofridos até ontem. Os líderes globalistas - comprometidos com agendas de origem socialista e culturalista - insistem em classificar como preconceito quaisquer atribuições de violência à religião muçulmana. Mesmo o facto lógico de que somente no Islão temos atentados para eles não é o bastante. O mundo precisa assistir a quantos atentados para que alguém admita que estamos diante de uma "política" comum à religião de Maomé? Será que ninguém percebe que não há este tipo de acção fora dela? Ou há um interesse muito grande do socialismo, adversário ético e natural do bloco judaico-cristão, em perpetuar ou utilizar-se do islão como forma de destruir a resistência ocidental em um de seus pilares?

Se assim o for precisa-se avisar aos socialistas que pretendem usar deste subterfúgio que nada garante que sem o ocidente pela frente haverá a sociedade sem classes ou o mundo sem religião da velha canção "Imagine" do John Lennon. Nada garante que esta suposta aliança continue e que se perpetue por muito tempo.

Diferente das outras mensagens, esta é uma mensagem de preocupação, com algum teor histórico, mas principalmente uma mensagem de preocupação e de alerta a este mundo anestesiado diante de uma realidade que temos visto desde 11 de Setembro e intensificada diante da fraca e conivente política de Barack Obama nos EUA e da União Europeia com ênfase na Alemanha de Ângela Merkel. Foi com esta combinação que o mundo tornou-se instável. Foi nestes termos que as portas foram abertas para que este tipo de terror se tornasse hábito em solo europeu (mas não só). Aqui estamos diante uma forma triste de novo mundo. Uma forma de destruição milenar da nossa história em prol de uma nova forma de vida altamente prejudicial à voz discordante, ao contraditório, ao livre. Depois não digam não houve aviso. As lágrimas de hoje, das vítimas e parentes de hoje, nada mais são do que o início do grande luto, este que abaterá, caso não haja nada feito em reação, com toda uma estrutura de mundo que muitos acostumaram-se a espezinhar, mas que muito sentirão quando se for.


Eustáquio Silva.

quinta-feira, 1 de junho de 2017

Um mundo contra o conservadorismo

Os anos de 80 do passado século mostravam um mundo diferente. De um lado a decadente parede socialista representada pela URSS, por uma Cuba mergulhada em pobreza e outras repúblicas menores cheias de vontade de entrar na maré vermelha. Esta onda tinha força tal para compreender artistas, intelectuais, na chamada força do marxismo cultural até então em voga e sem críticas. Este grupo era abastecido por partidos ideologicamente socialistas ou comunistas que arvoravam-se bastiões da ética e do bem fazer a coisa pública para os pobres. Nesta altura o mundo assistia a um maniqueísmo frio, a chamada guerra fria. Não haviam acções declaradas e o mito do "império ianque" estava a pleno vapor entre todos. Praticamente toda a história, filosofia, ciência política e sociologia eram de natureza socialista. Isto demovia multidões de jovens recém formados e amantes da Revolução Francesa e da Revolução Russa, duas das mais danosas revoluções humanas em toda a história ocidental, se calhar comparáveis apenas às Revoluções totalitárias islâmicas como a que transformou a Pérsia em Irão pela mesma altura.

Por outro prisma, existia aquilo que poderíamos chamar de "outro lado", a saber, uma sensível posição conservadora. Em países como os EUA de Ronald Reagan, por exemplo, ou o Reino Unido capitaneado por Margaret Thatcher, ou, ainda, o Vaticano do Papa João Paulo II, dentre outros, que traziam uma resposta a esta onda social-comunista que varria metade do mundo. Era uma resistência à altura, isto é, bem melhor que o lado que atacava. Neste ponto as sementes lá atrás plantadas por um Edmund Burke floresciam rapidamente. E esta resistência significava que este movimento de degradação ética (dito em nome da ética, de forma paradoxal) não teria lá facilidade de continuar a prosperar. Bem mais que o marxismo, o marxismo cultural pareceu muito mais daninho no anterior século, e comprovado neste, e por isto as atenções teriam de ser voltadas todas a ele. O tamanho de partidos radicais do comunismo no mundo evidencia que estes extremos não são lá os mais perigosos, mas sim aqueles que são amálgama de outros "interesses", que mesclam outros rumos e que pululam de defesas e gritarias por uma sobrevivência no poder.

Desde cedo o mundo tinha um ataque e um contra-ataque. Uma semente de revolução e uma contra-revolução. Somente depois é que arrefeceram as presenças ditas conservadores e os ideais socialistas começaram a ter hegemonia política. Hoje em dia o mundo está pendente para o lado vermelho. A ONU, mais uma vez ela, é o órgão máximo de representação do marxismo cultural. A imprensa toda foi capturada e os meios académicos continuam sob seus domínios. O século XXI assiste a um mundo contra o conservadorismo. Ao conservador foram taxadas as piores rotulações, sobretudo aquelas que poderiam ser facilmente postas nestes acusadores conforme as suas visões e atitudes no mundo. A história e demais ciências humanas têm sido adulteradas. Aquela que deveria ser uma visão de mundo passou a ser a visão de mundo sob pena de exclusão em sociedade.

Eu falo por experiência própria. Enquanto advoguei causas ditas de esquerda, em suas formas variadas, era promissor, bem dotado de inteligência e seguro que seria um grande intelectual. Após abandonar racionalmente toda e qualquer aproximação com o socialismo/comunismo, que conheci por dentro, vi implodir a imagem que possuía ante professores, colegas, antigos seguidores. Passei a ser questionado e perseguido a ponto de ser rotulado de "conservador" no sentido que eles dão a palavra. Não conhecem a essência do conservadorismo. Mas adulteram dados estatísticos, promovem a mentira e o argumento do dedo em riste, aquele que promove mais do que nunca apenas a insensibilidade real perante as coisas que vemos existir. O mundo sem o pilar forte do conservadorismo pende rapidamente ao seu caos. E é isto que desejam estas senhoras e estes senhores da geração do "x" para denunciar igualdade de géneros. É justamente isto que alardeiam para um mundo cada vez cheio de parênteses e vocabulários pré-determinados. Um mundo contra o conservadorismo, que chamam de fascistas e golpistas, isso é o que eles dizem...


Eustáquio Silva