terça-feira, 27 de junho de 2017

Como se engana um aluno sobre história.

A história de todas as sociedades que existiram até nossos dias tem sido a história da luta de classes. Homem livre e escravo, patrício e plebeu, barão e servo, mestre de corporação e companheiro, numa palavra opressores e oprimidos, em constante oposição, têm vivido numa guerra ininterrupta, ora franca, ora disfarçada; uma guerra que terminou sempre, ou por uma transformação revolucionária, da sociedade inteira, ou pela destruição das duas classes em luta.

Marx (e Engels) começam assim o famoso Manifesto do Partido Comunista de 1848 e marcam assim a maneira como todos os historiadores, cônscios ou não da influência marxista, parecem promover a visão que possuam da história em si. Uma espécie de alienação coletiva promovida por esta função inunda destrutivamente a lição de história e forma o maior produto de engano e de profundo desconhecimento já confecionados pela cultura humana. São verdadeiras legiões de professores doutrinados e gerações tornadas ignorantes quando resumem a tudo entre esquerda e direita, entre bons e maus, mocinhos e bandidos, em suma, nestas tão faladas duas classes sociais, independente se existam outros atores sociais envolvidos. As minorias sociais de hoje ganham o adjetivo "oprimidos". O negro é oprimido. O gay é oprimido. A mulher é oprimida e assim por diante. Por outro lado se há oprimidos, pela lógica em voga nesta fôrma de pensamento, haverá um opressor. Então, o branco é opressor, o heterossexual é opressor, o homem é opressor e assim por diante. Imaginem, por conseguinte, que esta falácia de generalização identifica o mundo por estas lentes e, conforme seja o caso, constroem a história inteira a partir destas visões distorcidas e defeituosas. Este é o legado da doutrinação na narrativa e edificação de nossa memória. Os factos não mais interessam e sim os despistes e as ilusões úteis que são criadas. Como não reconhecer este modus operandi em nossos dias? Como não olhar para uma sala de aula do Brasil, ou de outros países, e perceber, por exemplo, que o cristão é o lado ruim e o islâmico o lado bom? Ou não identificar as destruições de reputação e descasos morais tendenciosos que diferenciam este "nós e eles"?

Esta velada, mas plenamente consciente, reconstrução da história, em verdade, sempre foi a reconstrução do mundo feita por um pórtico privilegiado. Nada é mais eficaz que você usar do meio mais efetivo de controlo de opiniões e ideias do que fazer tais ideias surgirem como lótus ideológica da lama que foi uma história forjada. O mundo contado por estes meios e com estas cores, parece-nos ser idealmente conferido para tal fim.

Por estas e outras é tão proveitoso usar a história como instrumento de mentira ideológica. É fecundo minar a verdade dos eventos e sobre as pessoas e construir mitos e consumar heróis. É fácil, relativamente fácil, demonizar alguns e santificar outros e esta tática é plenamente usada, sobretudo quando o assunto é tornar alguém acima do bem e do mal. Será que não lembram os meus caros leitores de pessoas como Che Guevara, Fidel Castro, Hugo Chávez, dentre outros?  E como não lembrar de verdadeiras destruições pessoais sofridas por quem não faz parte deste establishment?

Não custa nada perceber que foram anos e anos de fixação da história como alvo principal. Quem sabe o que é enfrentar uma sala de aula sabe o que é representativo dominar o discurso histórico, sobretudo porque sabe da influência da história na perspetiva das coisas e na elaboração da visão de mundo de qualquer pessoa. Mesmo que não haja interesse direto das pessoas pela matéria história, estas fazem diversos usos de suas ferramentas no quotidiano e o trabalho diuturno destes engodos, destes enganos tornam-se eficazes justamente porque são inseridos quase que subliminarmente na cabeça de gerações de jovens. E não adianta atacar a superfície. Não consegue-se evidenciar tais males apenas dando a vaga ideia de que as coisas resumem-se a confrontar economicamente ou politicamente as coisas. Tal submundo está na sala de aula. Na qual palavras como a de Marx e Engels que iniciam este texto, tornam-se dogmas. Ninguém hoje percebe a história de outro jeito. Ninguém hoje parece perceber que existe história fora deste vidro. Eis o grande mal causado pelo marxismo em geral e pelos marxismos em particular, e não só. Por isto é pertinente repetir o título desta mensagem, pois é extremamente verdadeiro e certeiro: como se engana um aluno sobre história.


Eustáquio Silva  

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