sábado, 17 de junho de 2017

O século XXI e a história em fragmentos


Posso começar este texto com uma assertiva: não é possível, hoje em dia, contar uma história em mais de um parágrafo. Nós vivemos a mais pálida e imprecisa época para conhecer-se a história e poder produzi-la. Vivemos um tempo de desconstrução gradual de uma narrativa para prender-se aos fragmentos, às migalhas ideológicas, ao pouco caldo de uma crónica ignorante sobre a realidade. E esta aversão ao conhecimento dos factos e das pessoas reproduz um panteão de opiniões falsas e de má fé científica, sobretudo no discurso histórico. Senão vejamos alguns exemplos claros deste ponto.

Causa-me impressão a imprensa, os cursos de história, as universidades e o grupo denominado "esquerda" em todas as suas vertentes produzir afirmações inválidas e mentirosas sobre tantos assuntos. Um deles é a não relação de Israel com Jerusalém. Parece-me uma piada de péssimo gosto ter que falar sobre isto, mas é isto que ocorre realmente em lições ideológicas sobre história. O movimento pró-Palestina engole a realidade. Distorce a realidade. É uma sequência de falácias produzidas com um único intuito: legitimar os chamados "vencidos" da fantasia que Walter Benjamin chamou de história. Este pensador marxista, inclusive, é o responsável por sandices deste género que foram ponta de lança para uma ignorância grotesca sobre o passado, sobre o rasto cultural de tantos séculos e milênios. Este suposto filósofo foi um dos mais destacados destruidores de ciência que o ocidente já produziu, sob a aura de intelectual refinado e o panteão socialista criado.

Por conta disto Israel, o sionismo de um modo geral, o governo israelita em particular, sofrem continuadas acusações dos media. Muitas mutilações cognitivas são produzidas e o resultado é uma sucessão de horrores como o desfazimento do Estado de Israel a devolver-se a Palestina toda a terra. A ONU é ativa mentora deste domínio, com a ajuda do ex-presidente dos EUA Barack Obama. O que não encaixa é que na história da criação do estado israelita está a mesma Organização das Nações Unidas que agora quer extirpar da realidade aquilo que ajudou a tornar existente. Este é um tema que por si merece uma mensagem neste blog em particular. Mas à guisa de exemplo vale a pena deixar bem demarcada esta contradição clamorosa acerca de tantos assuntos e posturas que este mundo divorcidado de seu pretérito produz dia a dia.

Os mitos, os heróis criados e as farsas contadas várias vezes até tornarem-se verdades são um capítulo à parte. Zumbi dos Palmares ganhou dia de reflexão, mesmo sendo um dos mais cruéis perseguidores de negros e outras etnias de seu tempo. Lampião ganhou a aura de protetor dos pobres quando, em verdade, é apenas um criminoso que tinha grande sede por sangue. Marighella, exímio terrorista, e mais lido pelos terroristas islâmicos, em seu Manual de Guerrilha, foi alçado ao estado de herói sem mérito algum. Apenas porque estes vultos brasileiros agradam aos culturalistas estão nesta lista. Santificados que foram. O  Papa Francisco produz uma legião de fãs entre os não religiosos apenas porque tenta fazer um discurso ecuménico, em muitas vezes contrário aos dogmas da Igreja que preside, mas Bento XVI ou João Paulo II (este santo) são vistos com péssimos olhos. João Paulo II, por sinal, viu de perto a queda da sua Polônia para o regime sanguinário de Moscou. Mas isto não veio ao caso. O que importa é chamar ditadores, como o recém falecido Fidel Castro, de marcas pessoais de luta pelo povo. Até mesmo este autoritário cubano falou mais de uma centena de vezes a frase que simboliza seus companheiros socialistas e comunitas: "a história me inocentará".

Assim é feita esta história simpática e de migalhas. Não há preocupação genuina com o facto, com a verdade, pois esta é relativa. Não há uma lógica interna. Não há uma distância considerável e recomendável do objeto para que o cientista tenha alguma credibilidade. Cursos de História - em países como o Brasil, por exemplo - produzem iniciados apaixonados e com uma crença indecorosa na cartilha marxista e derivada deste - como o engenhoso edifício de areia gramsciano. O que menos faz sentido é o que é seguido. O que menos faz sentido é o determinado como certo. Faz grande impressão o quanto perde-se tempo com a mentira em nossos dias. Mas é o que sobra em terreno por onde a Escola de Frankfurt apartou a todos do bom senso.

Por estas e outras: o século XXI é o século líquido no pior sentido. Inverídico e totalmente cru. Sem respaldo real e completamente insano. Eis a realidade desmontada. Eis o fim de nossa história: não ter sentido algum.



Eustáquio Silva.

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