quinta-feira, 1 de junho de 2017

Um mundo contra o conservadorismo

Os anos de 80 do passado século mostravam um mundo diferente. De um lado a decadente parede socialista representada pela URSS, por uma Cuba mergulhada em pobreza e outras repúblicas menores cheias de vontade de entrar na maré vermelha. Esta onda tinha força tal para compreender artistas, intelectuais, na chamada força do marxismo cultural até então em voga e sem críticas. Este grupo era abastecido por partidos ideologicamente socialistas ou comunistas que arvoravam-se bastiões da ética e do bem fazer a coisa pública para os pobres. Nesta altura o mundo assistia a um maniqueísmo frio, a chamada guerra fria. Não haviam acções declaradas e o mito do "império ianque" estava a pleno vapor entre todos. Praticamente toda a história, filosofia, ciência política e sociologia eram de natureza socialista. Isto demovia multidões de jovens recém formados e amantes da Revolução Francesa e da Revolução Russa, duas das mais danosas revoluções humanas em toda a história ocidental, se calhar comparáveis apenas às Revoluções totalitárias islâmicas como a que transformou a Pérsia em Irão pela mesma altura.

Por outro prisma, existia aquilo que poderíamos chamar de "outro lado", a saber, uma sensível posição conservadora. Em países como os EUA de Ronald Reagan, por exemplo, ou o Reino Unido capitaneado por Margaret Thatcher, ou, ainda, o Vaticano do Papa João Paulo II, dentre outros, que traziam uma resposta a esta onda social-comunista que varria metade do mundo. Era uma resistência à altura, isto é, bem melhor que o lado que atacava. Neste ponto as sementes lá atrás plantadas por um Edmund Burke floresciam rapidamente. E esta resistência significava que este movimento de degradação ética (dito em nome da ética, de forma paradoxal) não teria lá facilidade de continuar a prosperar. Bem mais que o marxismo, o marxismo cultural pareceu muito mais daninho no anterior século, e comprovado neste, e por isto as atenções teriam de ser voltadas todas a ele. O tamanho de partidos radicais do comunismo no mundo evidencia que estes extremos não são lá os mais perigosos, mas sim aqueles que são amálgama de outros "interesses", que mesclam outros rumos e que pululam de defesas e gritarias por uma sobrevivência no poder.

Desde cedo o mundo tinha um ataque e um contra-ataque. Uma semente de revolução e uma contra-revolução. Somente depois é que arrefeceram as presenças ditas conservadores e os ideais socialistas começaram a ter hegemonia política. Hoje em dia o mundo está pendente para o lado vermelho. A ONU, mais uma vez ela, é o órgão máximo de representação do marxismo cultural. A imprensa toda foi capturada e os meios académicos continuam sob seus domínios. O século XXI assiste a um mundo contra o conservadorismo. Ao conservador foram taxadas as piores rotulações, sobretudo aquelas que poderiam ser facilmente postas nestes acusadores conforme as suas visões e atitudes no mundo. A história e demais ciências humanas têm sido adulteradas. Aquela que deveria ser uma visão de mundo passou a ser a visão de mundo sob pena de exclusão em sociedade.

Eu falo por experiência própria. Enquanto advoguei causas ditas de esquerda, em suas formas variadas, era promissor, bem dotado de inteligência e seguro que seria um grande intelectual. Após abandonar racionalmente toda e qualquer aproximação com o socialismo/comunismo, que conheci por dentro, vi implodir a imagem que possuía ante professores, colegas, antigos seguidores. Passei a ser questionado e perseguido a ponto de ser rotulado de "conservador" no sentido que eles dão a palavra. Não conhecem a essência do conservadorismo. Mas adulteram dados estatísticos, promovem a mentira e o argumento do dedo em riste, aquele que promove mais do que nunca apenas a insensibilidade real perante as coisas que vemos existir. O mundo sem o pilar forte do conservadorismo pende rapidamente ao seu caos. E é isto que desejam estas senhoras e estes senhores da geração do "x" para denunciar igualdade de géneros. É justamente isto que alardeiam para um mundo cada vez cheio de parênteses e vocabulários pré-determinados. Um mundo contra o conservadorismo, que chamam de fascistas e golpistas, isso é o que eles dizem...


Eustáquio Silva

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